Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

17/08/2017 - 18h37

Dentistas apontam falta de profissionais para tratar de disfunção que atinge mandíbula

Diógenes Santos
Saúde - Saúde bucal - Dentista
A especialidade é recente, e por isso ainda pouco difundida entre os dentistas

Especialistas da área da odontologia alertaram, na Câmara, para a importância de diagnóstico específico para pessoas que sentem dores na face. A falta de profissionais capacitados para identificar casos de disfunção temporomandibular (DTM) foi tema de audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família nesta quinta-feira (17).

Sensação de fadiga e cansaço nos músculos da mastigação, dores na cabeça, ao lado dos olhos (região temporal), dificuldade de se alimentar com alimentos mais duros, sons na articulação ao abrir e fechar a boca e ameaças de travamento da mandíbula são os principais sinais e sintomas da DTM, que chega a atingir 30% da população.

Os especialistas ressaltaram ainda que é comum o diagnóstico incorreto dos pacientes. O representante da Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial, João Henrique Padula disse que o problema do diagnóstico incorreto gera custos para o poder público e para o paciente. “Mas o principal custo é a evolução da doença do paciente para a dor crônica”, afirmou.

O problema é causado pela falta de profissionais capacitados em diagnosticar a DTM. Roberto Brígido, cirurgião-dentista especialista no problema, ressaltou que a especialidade é muito recente: foi regulamentada pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) em 2002, e por isso ainda é pouco difundida para os dentistas.

Hoje, há no Brasil aproximadamente 240 mil dentistas, mas apenas mil profissionais tem especialidade e capacitação para diagnosticar a doença.

Qualidade de vida
Segundo Simone Carrara, também especialista, o tratamento adequado pode dar mais qualidade de vida ao paciente. "Há pessoas que tomam de 10 a 12 analgésicos por dia durante 30 anos da vida, então, quando os especialistas prescrevem um tratamento, mais de 90% desses pacientes passam a não precisar de analgésicos. É disso que estamos falando."

Ainda segundo Simone Carrara, hoje, cerca de 20% da população precisa do tratamento, mas somente 0,03% trata o problema.

A representante do Ministério da Saúde na audiência, Caroline Martins, concorda que a disfunção ainda é desconhecida na rede de saúde e por parte dos profissionais. No entanto, disse que quando a população sente algum incômodo ou desconforto, pode buscar uma das 24 mil equipes de saúde bucal. Segundo Martins, essas equipes atendem quase metade da população (40%) e podem ser encontradas nos centros de saúde; são compostas por cirurgiões-dentistas, técnicos e auxiliares em saúde bucal.

Prontuário eletrônico
O deputado Zé Augusto Nalin (PMDB-RJ), que presidiu a audiência, chamou a atenção para avanços do prontuário eletrônico único de saúde, que também poderá ajudar no diagnóstico adequado para os casos de DTM.

Nalin destacou que é preciso discutir mais o assunto, e sugeriu à Comissão de Seguridade a realização de outro debate com a participação também de representantes da área de tecnologia do Ministério da Saúde e dos planos de saúde suplementar.

Reportagem - Leilane Gama
Edição - Sandra Crespo

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'