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07/12/2016 - 22h43

Debatedores reclamam de demora no diagnóstico da doença celíaca

Em seminário da Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (7), debatedores reclamaram de demora no diagnóstico da doença celíaca, que é causada pela intolerância ao glúten (proteína encontrada no trigo, na aveia, na cevada, no centeio e em seus derivados).

A professora Flávia Anastácio, da Universidade Estadual do Paraná, é celíaca e ressaltou que a falta de informação é uma das principais causas de demora em um diagnóstico que poderia ser rápido. Ela também criticou a falta de formação dos profissionais da saúde “para olhar para um celíaco e desconfiar do que pode ser” e a falta de políticas públicas e de diretrizes sobre como deve ser feito o atendimento da pessoa celíaca.

Estima-se que, no Brasil, existam atualmente quase 600 mil pessoas com doença celíaca. A doença afeta duas mulheres para cada homem e pode ser diagnosticada em qualquer idade. No entanto, é justamente no diagnóstico que os pacientes celíacos enfrentam o primeiro problema, devido à dificuldade de os médicos reconhecerem os sintomas, que podem variar de perda de peso e fadiga a osteoporose ou doenças reumatológicas, deixando sete em cada oito pacientes sem diagnóstico.

Visibilidade
O presidente da Comissão de Legislação Participativa, deputado Chico Lopes (PCdoB-CE), afirmou que a doença precisa de mais visibilidade, principalmente dentro dos serviços de saúde. "Essa doença é tão desconhecida, mas deu para notar aqui que ela aparece e cria grande dificuldade, inclusive porque o Estado não tem serviços de saúde para a doença celíaca", declarou.

Chico Lopes afirmou que vai apresentar sugestão para que a Câmara realize uma campanha de conscientização da população para que a doença seja conhecida e os pacientes recebam atendimento mais adequado.

Alerta em embalagens
Desde 2003, os produtos industrializados devem conter em suas embalagens, em local visível, as expressões "contém glúten" ou "não contém glúten".

A representante da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônia Aquino, reconheceu, no entanto, que, por falta de uma legislação mais detalhada, muitas vezes as indústrias informam que existe glúten em um determinado produto apenas para não serem alvo de ações judiciais. "Os portadores em geral têm uma restrição maior em relação aos alimentos que antigamente eles tinham tradição em utilizar", disse Antônia Aquino.

Presente em pizzas, bolos, pães, biscoitos, cerveja, uísque, vodka e alguns doces, o glúten provoca dificuldade para que o organismo absorva os nutrientes dos alimentos, vitaminas, sais minerais e água.

Reportagem – Karla Alessandra
Edição – Pierre Triboli

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Comentários

Lenir dos Santos pereira | 08/12/2016 - 16h19
Sou celíaca e, peço a avisa que raciocine. Se alguns fornecedores colocam tem glúten com medo de ações judiciais é porque seus produtos não são seguros. Segurança alimentar passa por aí. Prefiro menos oferta do que parar no hospital por contaminação por glúten. O que é mais importante, o fornecedor vender mais ou a avisa assegurar nossa saúde ? Como cidadã que paga seus impostos peço o meu direito à saúde. E o meu direito depende da qualidade do que me alimenta.