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10/10/2017 - 19h16

Convocação de políticos causa divergência na CPMI da JBS

Deputados querem ouvir ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, e Geddel Vieira Lima; presidente da comissão mista diz que houve acordo para não convocação de políticos nesta fase das investigações

Lúcio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados
Reunião para deliberação de requerimentos
A CPMI ouviu a ex-diretora da CEF Maria Fernanda Coelho e o ex-funbcionário do BNDES José Cláudio Aranha 

A possibilidade de convocação de agentes políticos causou divergências entre parlamentares do governo e da oposição na reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a JBS.

Nesta terça-feira (10) foram ouvidos a ex-presidente da Caixa Econômica Federal (CEF) Maria Fernanda Ramos Coelho e o ex-funcionário do BNDES José Cláudio Rego Aranha.

Maria Fernanda Coelho, que presidiu a Caixa entre 2006 e 2011, foi ouvida como convidada e deu explicações técnicas para três operações de crédito feitas pelo banco com a JBS, que somaram R$ 1,25 bilhão entre novembro de 2009 e janeiro de 2001 – todas quitadas, segundo ela.

Os integrantes da comissão queriam mais informações, porém, sobre operações feitas pela Caixa com o BNDES por meio do Fundo de Investimentos do FGTS, o FI- FGTS, criado em 2007 para viabilizar investimentos em infraestrutura urbana, saneamento, habitação, rodovias, hidrovias, portos e aeroportos.

Em delação premiada, o empresário Joesley Batista disse que a liberação desses recursos teria rendido o pagamento de propinas a agentes políticos – informação repetida em depoimentos de outro delator, o ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto.

A ex-presidente explicou à comissão que o fundo é gerido por uma das vice-presidências do banco, a de Fundos de Governo e Loterias, ocupada na época pelo atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco – e depois por Fábio Cleto. “Mas Fábio Cleto entrou quando eu saí e não tive contato com ele”, afirmou.

Agentes públicos
Diante da resposta, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) defendeu a convocação do ministro Moreira Franco e de Fábio Cleto. Ele incluiu na lista os nomes do operador Lucio Funaro, de Geddel Vieira Lima, que foi vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa, e do ex-deputado Eduardo Cunha, apontado por Cleto e por Joesley como destinatário de pagamento de propina em troca da liberação de recursos do FI- FGTS.

"Nós temos que chamar aqui quem efetivamente estava no centro desse relacionamento”, defendeu Pimenta, que anunciou que apresentaria requerimento nesse sentido junto com o deputado Wadih Damous (PT-RJ).

Diante do pedido, o presidente da comissão, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), defendeu que neste caso teriam que ser convocados também os ex-presidentes da República Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, o que deu início a uma discussão na reunião.

“Presidente, pelo que eu vi o senhor se assustou com meu requerimento. Até pareceu uma espécie de ameaça”, disse Pimenta. “Eu não estou ameaçando ninguém, mas nós tínhamos combinado que políticos não seriam convocados neste momento”, retrucou Oliveira.

O deputado Delegado Francischini (SD-PR), um dos sub-relatores da CPMI, disse concordar com os nomes sugeridos por Pimenta, mas acrescentou outros dois. “Deveríamos chamar também os ex-ministros Guido Mantega e Antonio Palocci”, disse.

"Na época deles, o BNDES emprestou aos irmãos Batista, da JBS, R$ 12 bilhões”, disse o senador Ataídes Oliveira.

Ainda não há data para votação desses requerimentos de convocação. 

Reportagem - Antonio Vital
Edição - Rosalva Nunes

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