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05/09/2017 - 18h49

Congresso instala Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre JBS

Marcos Oliveira/Agência Senado
Reunião de instalação da CPMI JBS
A comissão de deputados e senadores vai investigar operações do grupo entre os anos de 2007 e 2016

O Congresso Nacional instalou nesta terça-feira (5) comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) para investigar supostas irregularidades envolvendo o grupo J&F em operações realizadas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ocorridas entre os anos de 2007 e 2016.

O grupo J&F, que era dirigido pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, controla o frigorífico JBS e outras empresas.

A comissão de deputados e senadores vai investigar também o acordo de colaboração premiada celebrado entre o Ministério Público Federal e os acionistas das empresas. O presidente da CPMI é o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), e o vice-presidente, o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO). O relator será um deputado e deve ser designado na próxima semana.

Ronaldo Caiado cobrou a divulgação dos áudios que geraram a revisão do acordo de delação premiada de Joesley Batista e de outros dois executivos da JBS. Com base nos áudios, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou investigação para apurar indícios de omissão de informações na delação premiada dos executivos do grupo.

Segundo Janot, a gravação tem diálogo entre dois colaboradores, "com referências indevidas à Procuradoria Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal". Para o senador Caiado, a CPMI deverá tornar essas novas denúncias transparentes.

"Com as atuais gravações que chegam à tona, eu acho que um ponto que todos nós aqui queremos é que essas quatro horas venham totalmente ao conhecimento da sociedade brasileira”, disse Caiado.

Desconfiança geral
O deputado Izalci Lucas (PSDB-DF) igualmente considera que o principal objetivo da investigação deve ser prestar esclarecimentos à sociedade. "Espero possamos fazer um trabalho sério, independentemente de questões partidárias, porque devemos à sociedade uma resposta”, disse Izalci. Para o deputado, o escândalo da JBS “abalou o País, afetou a economia, trouxe uma desconfiança geral em todos os parlamentares."

O deputado Andres Sanchez (PT-SP) também integra a CPMI. Para evitar especulações a seu respeito, ele já se antecipou, afirmando que uma parte pequena de sua campanha foi financiada pelo partido com doações da JBS.

"Quando eu decidi aceitar ser candidato a deputado federal, meu partido ficou de bancar minha campanha, mas quem é mais antigo aqui sabe que no final bancou um pouquinho só, e um desses pouquinhos foi da JBS”, afirmou.

Sanchez disse ainda que não conhece ninguém da JBS. “Foi o partido que fez essa doação, eu nem sabia de onde viria, então, para evitar especulações eu vou deixar bem claro que meu compromisso é tentar ajudar aqui a fazer o melhor trabalho."

Atuação firme
O senador João Alberto de Souza (PMDB-MA) declarou que a CPI mista terá "atuação firme". O deputado Celso Maldaner (PMDB-SC) pediu que o governo dê atenção especial à questão dos empregados nas empresas do grupo JBS.

Já o deputado Miguel Haddad (PSDB-SP), que foi vice-presidente da CPI do BNDES, afirmou que várias vezes tentou aprovar requerimento convocando os irmãos Batista. "Esses requerimentos nunca foram aprovados, em função dos votos contrários da bancada do PT, PCdoB e PMDB", disse.

O deputado Delegado Francischini (SD-PR) disse que espera da CPI mista “um relatório altivo, a ser encaminhado ao Ministério Público Federal, e não meras ilações”. E o senador Sérgio Petecão (PSD-AC) declarou que se há 15 dias a CPI já era importante para o País, agora é muito mais, depois das preocupações do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com os áudios do empresário Joesley Batista.

Depoimentos
A CPMI da JBS terá reuniões na próxima terça-feira (12) e na quarta (13). Já há mais de 60 requerimentos a serem analisados, entre eles, convite a Rodrigo Janot e convocação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, para prestarem depoimento.

Saiba quem são os parlamentares integrantes da CPMI

Reportagem - Geórgia Moraes
Edição – Sandra Crespo
Com informações da Agência Senado

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Comentários

Maria Luiza Rabelo | 06/09/2017 - 09h55
Qual é a diferença entre os países com princípios morais consolidados e o Brasil? No Japão, por exemplo, não há CPI, uma vez que, lá é caso de polícia mesmo! E também não existe Justiça Trabalhista, Justiça disso, daquilo, apenas JUSTIÇA. Como é bom viver num país onde as pessoas têm vergonha e não se vangloriam de serem "espertos". Será porque o crime organizado não ataca políticos e seus familiares? Nunca ouvimos notícias deste tipo. Porquê? Algo não bate com a realidade de um país com tanta insegurança, que detém os maiores índices de criminalidade por ano. Acima daqueles em guerras.