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23/08/2017 - 17h26

Comissão especial antecipa fim das coligações partidárias para 2018; proposta vai a Plenário

Comissão especial da Câmara dos Deputados antecipou o fim das coligações partidárias para a eleição proporcional de 2018. A decisão foi tomada, nesta quarta-feira (23), na votação de um dos destaques que tentavam alterar a proposta de emenda à Constituição (PEC 282/16), que também trata de cláusula de desempenho e federações partidárias.

Billy Boss - Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre as possibilidades de controle das contas públicas usando dados abertos. Dep. Hildo Rocha (PMDB-MA)
Hildo Rocha defendeu a antecipação:  "As coligações tornaram-se balcões de negócio"

O texto original da PEC, mantido pela relatora, deputada Shéridan (PSDB-RR), previa o fim das coligações na eleição de deputados e vereadores apenas a partir de 2020. Porém, por 18 votos a 11, os integrantes da comissão suprimiram essa parte do texto, o que, na prática, antecipa a aplicação da norma para o próximo pleito.

A medida foi defendida pelo PMDB e recebeu o apoio de PSDB, PT, PSD, PSB, PDT e Psol. O deputado Hildo Rocha (PMDB-MA) justificou a antecipação: “As coligações são maléficas, pois tornaram-se verdadeiros balcões de negócio”.

Já PR, PCdoB, PPS e PHS se posicionaram contra o destaque. O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) lembrou que havia acordo com o Senado para que o fim das coligações só ocorresse em 2020. Ele disse esperar que a medida seja derrubada no Plenário da Câmara e denunciou articulações em torno da aprovação do sistema majoritário de votação, mais conhecido como “distritão”, previsto na proposta de reforma política (PEC 77/03). “Proibir a coligação fere o livre direito de associação, que é estabelecido na Constituição. A tentativa de antecipar o fim das coligações é para constranger deputados a votar pelo ‘distritão’. Esse é o real objetivo”, argumentou.

Cláusula de desempenho
Antes de aprovar a antecipação do fim das coligações, os deputados da comissão especial rejeitaram um destaque do Psol que tentava suprimir da PEC as novas regras de cláusula de desempenho.

Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
Audiência pública das comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN), de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia (CINDRA), de Seguridade Social e Família (CSSF), de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO), e de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP) para apresentação das prioridades e diretrizes da política de defesa nacional. Presidente da CTASP, dep. Orlando Silva (PCdoB-SP)
Já para Orlando Silva, medida foi tomada para constranger deputados a votarem a favor do "distritão" na reforma política

O texto aprovado no colegiado impõe regras para que os partidos tenham acesso ao dinheiro do Fundo Partidário e à propaganda gratuita no rádio e na TV. A proposta permite que partidos políticos com afinidade ideológica e programática se unam em federação, que terá os mesmos direitos e atribuições regimentais dos partidos das casas legislativas. Subfederações poderão ser criadas no âmbito dos estados.

Pela redação aprovada hoje, a partir das eleições de 2030, os partidos só terão acesso ao Fundo Partidário se atingirem 3% dos votos válidos, distribuídos em pelo menos nove estados, com no mínimo 2% dos votos válidos em cada um deles. Shéridan reduziu de 18 para 15 a exigência mínima de deputados eleitos distribuídos em nove estados.

Também houve diminuição no número obrigatório de deputados eleitos na transição gradual prevista para as eleições de 2018 a 2026. A nova regra é a seguinte:

Billy Boss/Câmara dos Deputados
Audiência Pública e Reunião Ordinária. Dep. Shéridan (PSDB - RR)
Relatora da PEC 282/16, Shéridan acredita que a cláusula de desempenho corrigirá distorções do sistema eleitoral brasileiro

- na legislatura seguinte às eleições de 2018: 1,5% dos votos válidos, distribuídos em pelo menos 9 estados, com no mínimo 1% de votos válidos em cada um deles; ou pelo menos 9 deputados eleitos distribuídos em 9 estados;
- na legislatura seguinte às eleições de 2022: 2% dos votos válidos, distribuídos em pelo menos 9 estados, com no mínimo 1% de votos válidos em cada um deles; ou pelo menos 11 deputados eleitos distribuídos em 9 estados; e
- na legislatura seguinte às eleições de 2026: 2,5% dos votos válidos, distribuídos em pelo menos 9 estados, com no mínimo 1,5% dos votos válidos em cada um deles; ou pelo menos 13 deputados eleitos distribuídos em 9 estados.

Corrigir distorções
Para a relatora, as medidas corrigem distorções do sistema eleitoral. “O fim das coligações acaba com a deturpação que existe no processo eleitoral e que não traduz a vontade e a realidade do voto do eleitor brasileiro”, explicou Shéridan. “As federações vão servir para atender partidos que têm uma luta histórica e têm votos, mas não conseguiram alcançar a cláusula que vai ser estabelecida agora”, completou.

Plenário
Após passar pela comissão especial, a PEC 282/16 agora está pronta para ser votada pelo Plenário da Câmara.
Vários parlamentares defenderam a prioridade de tramitação dessa proposta, diante do impasse em torno da reforma política (PEC 77/03).

Saiba mais sobre a tramitação de PECs

Íntegra da proposta:

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Marcelo Oliveira

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Comentários

Brenda Fernandes Aprigliano | 23/09/2017 - 08h36
A impressão que o eleitor tem lendo essas notícias da Câmara e do Senado, é que os deputados e senadores estão aí para cuidar de si próprios e que o eleitor (povo) está presente só para pagar. Se não representam os anseios da Nação, talvez já não sejam necessários ou úteis!