Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

03/08/2017 - 12h59

Deputados avaliam decisão do Plenário sobre denúncia contra Temer

Aliados defendem aumento de diálogo; oposição diz que governo sai enfraquecido da votação

Antonio Augusto/Câmara dos Deputados
Presidente da Câmara em exercício Dep. Fábio Ramalho (PMDB - MG) concede entrevista
Ramalho lembra que para aprovar as reformas é preciso grande apoio

Base aliada e oposição avaliaram de forma diferente a decisão da Câmara dos Deputados de negar autorização para que o Supremo Tribunal Federal analise denúncia contra o presidente da República, Michel Temer, por crime de corrupção passiva.

Para os aliados do Planalto, a partir de agora o governo se fortalece para aprovar as reformas, com destaque para a da Previdência (PEC 287/16). Já a oposição entendeu que Temer sai enfraquecido, por ter perdido votos na base de apoio. A diferença entre os que rejeitaram a denúncia e defenderam seu prosseguimento foi de apenas 36 votos.

O primeiro-vice-presidente da Câmara, deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), afirmou que não é o momento de retaliar nenhum aliado do governo que votou favorável à denúncia, mesmo entre os do PMDB, partido de Temer. Para Ramalho, o importante agora é focar nas reformas. “Para ter reformas, é preciso o voto de todos, e não se pode retaliar ninguém. O presidente Temer tem habilidade para isso, demostrada pela votação brilhante”, disse Fábio Ramalho.

Vice-líder do DEM, o deputado Pauderney Avelino (AM) reconheceu que é preciso um maior diálogo com a base aliada para dar prosseguimento às votações na Casa, mas disse acreditar que Temer vai atuar para manter a união. “O trabalho precisa ser feito, sim, diariamente, mas Temer, como nenhum outro presidente, conhece a Casa e sabe como agir”, afirmou.

O deputado Beto Mansur (PRB-SP), um dos vice-líderes do governo, defendeu mais diálogo. Ele também é contra retaliar aliados. “Saímos muito bem desse processo, e a base está consolidada em 263 parlamentares, mas pode aumentar, até porque temos o objetivo específico de resolver o problema econômico do Brasil”, disse.

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Sessão extraordinária para discussão e votação de diversos projetos. Dep. José Guimarães (PT-CE)
Para Guimarães, governo não consegue aprovar reforma da Previdência

Instabilidade política
Por sua vez, o líder da Minoria, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou que o resultado da votação sinaliza para uma manutenção da instabilidade política no País.

Para Guimarães, o Planalto não tem condições de aprovar a reforma da Previdência. “O governo contabilizava 302 votos, mas teve 263. E agora parece que estão no mundo da lua, falando a essa altura do campeonato em votar a reforma da Previdência”, criticou.

Vice-líder da Minoria, o deputado Sílvio Costa (PTdoB-PE) afirmou que o governo agiu de forma truculenta para conseguir a vitória e acabou terminando com uma derrota política. “É um governo moribundo. Dez ministros vieram para cá não apenas para votar, vieram para fazer fisiologismo explícito”, disse.

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) afirmou que Temer ofereceu emendas, cargos e refinanciamento de dívidas de setores econômicos a fim de continuar no cargo, e mesmo assim, o resultado foi insuficiente. “Para ficar nesse time de coalizão de suspeitos e investigados, [o governo] gastou demais. É institucionalidade corrompida, mas pelo que o governo gastou o resultado foi insuficiente”, afirmou.

Debates
Nesta quinta-feira, o assunto também repercutiu no Plenário da Câmara. A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) afirmou que a vitória do governo pareceu “um soco no estômago” dos brasileiros. “Foi uma traição aos servidores públicos, aos homens e mulheres que investem neste País”, disse.

Já o deputado Mauro Pereira (PMDB-RS), outro vice-líder do governo, rebateu a petista. Segundo Pereira, a maioria apoiou a permanência de Temer para que a economia do País volte a crescer.

“Tiramos o fantasma do que poderia acontecer no Brasil, que seria a volta de PT, PCdoB, Rede e Psol ao governo”, disse. “Esses partidos quebraram o Brasil”, criticou.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – Natalia Doederlein

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'



Comentários

Luciano Oliveira | 04/08/2017 - 15h53
Os políticos não cansam de envergonhar o Brasil!!!
ALDO BORGES PROENÇA | 03/08/2017 - 20h54
Os eleitores brasileiros tem que tirar da lista candidatos dos partidos que apoiaram o TEMER além do PT e cia onde só tem corruptos ou pelo menos uma grande maioria. O PMDB tem que acabar, PSDB é a sombra do PMDB fora também exemplo o AÉCIO NEVES, DEM, PR, Os pt"s da vida, ou seja do B, do C e outras coisas mais que só servem para negociatas nas eleições fora todos. NO BRASIL TEM QUE SER TUDO NOVO e candidatos novos chega desse que estão por ai.
marieta | 03/08/2017 - 14h53
A corrupção regada a emendas e o Brasil sangrando. Até quando?