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09/12/2015 - 19h56

Eduardo Cunha faz críticas ao Conselho de Ética

Em entrevista no Salão Verde, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, fez várias críticas à reunião desta quarta-feira (9) do Conselho de Ética, marcada para votação do relatório do deputado Fausto Pinato (PRB-SP) à representação contra ele.

Sobre a substituição de Pinato na relatoria, Cunha afirmou que não foi uma decisão da Mesa Diretora e, sim, do primeiro vice-presidente, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), com base no que determina o Regimento Interno, que proíbe a relatoria de deputado do mesmo bloco do representado. O presidente frisou que o regimento é claro ao considerar a formação dos blocos no início da Legislatura e que nesse período o PMDB e o PRB eram do mesmo bloco.

Eduardo Cunha criticou o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA), que, segundo ele, estaria interpretando o regimento de maneira particular e levando o colegiado a cometer erros de procedimento.

Acusado de manobras por vários parlamentares, o presidente da Câmara afirmou que, na verdade, ele é quem está sendo vítima de manobras no Conselho de Ética. “Golpe é o que está sendo feito desrespeitando o regimento. Sou deputado legitimamente eleito pelo voto popular e também querem me cassar”.

PMDB
Sobre a substituição na liderança do PMDB nesta quarta, quando assumiu o deputado Leonardo Quintão (MG) no lugar do deputado Leonardo Picciani (RJ), Cunha classificou o fato como problema interno do partido, já que só uma parte da bancada estava se sentido representada pelo líder anterior. Ele confirmou que assinou o pedido de destituição do ex-líder Picciani, mas só depois que a bancada já havia conseguido um número necessário para justificar o pedido. “Assinei para restaurar a normalidade da bancada”.

Rede e Psol
Indagado pelos jornalistas sobre a representação que os partidos Rede e Psol entraram nesta quarta na Procuradoria-Geral da República pedindo o afastamento cautelar dele da Presidência da Câmara, Eduardo Cunha disse que não vai comentar o assunto.

A representação foi entregue à vice-procuradora-geral Ela Wiecko, que poderá dar uma resposta ao caso ainda antes do recesso parlamentar (23 de dezembro a 1º de fevereiro).

Segundo o líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), o pedido decorre dos últimos fatos envolvendo o que ele considera manobras de Cunha no Plenário no que diz respeito ao pedido de abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e ainda no Conselho de Ética, onde Cunha enfrenta um pedido de abertura de processo de cassação.

O líder da Rede, deputado Alessandro Molon (RJ), também afirmou que o processo de impeachment não pode ser conduzido por um presidente sob suspeita. “O processo mais grave que existe em uma república presidencialista é o de afastamento do presidente da República. Esse processo não pode ser conduzido por uma pessoa sob tantas suspeitas”, reforçou.

O pedido de afastamento de Eduardo Cunha seria feito pela Procuradoria ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Molon, caso a Justiça decida pelo afastamento, a Câmara não poderá contestar a decisão.

Reportagem – José Carlos Oliveira e Noéli Nobre
Edição – Luciana Cesar

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