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09/03/2015 - 17h25 Atualizado em 10/03/2015 - 08h52

Em depoimentos à Justiça, Barusco admitiu ter recebido US$ 97 milhões em propina

O delator disse que parte da propina era destinada ao PT e tinha como operador o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. Barusco estimou que Vaccari recebeu, entre 2003 e 2013, algo entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões em propina para o PT.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras vai ouvir nesta terça-feira (10) o depoimento do engenheiro Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da Petrobras e ex-executivo da empresa Setebrasil, criada para construir sondas para a exploração do petróleo do pré-sal. O depoimento foi autorizado pela Justiça e ocorrerá a partir das 9h30, no plenário 2.

Em três depoimentos prestados à Polícia Federal do Paraná, no âmbito da Operação Lava Jato, em novembro do ano passado, Barusco admitiu ter recebido propinas de empresas contratadas pela Petrobras de 1997 a 2013.

Ele detalhou, dentro do processo de delação premiada que corre na 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), como teria funcionado o esquema de desvio de recursos da estatal a partir de 2003, principal foco da comissão.

Propina ao PT
Barusco disse ter recebido cerca de US$ 97 milhões de dólares em propina neste período e nomeou outros supostos beneficiários do esquema, bem como as empresas contratadas pela Petrobras responsáveis pelos pagamentos. Ele disse ainda que parte da propina era destinada ao PT e tinha como operador o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

Nos mesmos depoimentos, Barusco estimou que João Vaccari Neto recebeu, entre 2003 e 2013, algo entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões em propina para o PT.

O deputado Afonso Florence (PT-BA), membro da CPI, relativiza a acusação. "Não é um réu confesso, em delação premiada, que vira juiz. Então ouvi-lo não significa que quem ele citou está condenado. Significa que quem ele citou tem direito a defesa. Então nós temos que encarar isso com muita parcimônia, sem espetacularizar e transformar em herói um réu confesso", disse o deputado, que chama atenção para o fato de Barusco ter admitido receber propinas desde 1997, período anterior ao governo Lula.

Barusco disse à Justiça que parte da propina ia para Vaccari e parte para o que ele chamou de “Casa”, que é como ele identificava os diretores da Petrobras que recebiam o dinheiro.

Destinatários de pagamentos
Entre os nomes citados por ele como destinatários de pagamentos das empresas estão: Renato Duque (ex-diretor da Petrobras), João Carlos de Medeiros Ferraz (ex-presidente da Setebrasil), Eduardo Musa (ex-diretor de Participações da Setebrasil), Júlio Gerin de Almeida Camargo (consultor do Grupo Setal e representante da Camargo Correa) e Paulo Roberto Costa (ex-diretor da Petrobras).

Faziam parte do cartel de empresas responsáveis por obras contratadas pela Petrobras, segundo ele: Camargo Correa, Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Engevix, Iesa, Mendes Júnior, MPE, Setal, Skanska, UTC, Promon e a Galvão Engenharia. Com exceção da Promon, as demais pagavam propina, de acordo Barusco.

Ente os estaleiros acusados por ele de terem pago propinas estão Rio Grande (da Engevix), Jurong, Kepel Fels e o Enseada do Paraguaçu (do consórcio Odebrecht, OAS, UTC e Kawasaki).

A partir de 1997
Pedro Barusco foi funcionário de carreira da Petrobras, onde entrou em 1979. Conheceu Renato Duque, então Gerente de Tecnologia de Perfuração de Sondas, em 1995. Barusco disse que começou a receber propina em 1997 ou 1988 da empresa holandesa SBM, enquanto ocupava o cargo de gerente de Tecnologia de Instalações da Diretoria de Exploração e Produção da Petrobras.

Na época, ele afirmou que tinha relacionamento bastante próximo com o representante da SBM, Júlio Faerman, da empresa Progress. Ele disse que a propina se tornou sistemática a partir do segundo contrato de aluguel de navios-plataforma entre a SBM e a Petrobras a partir de 2000.

Como os contratos eram de longa duração, disse que recebeu propina regularmente até 2003, período em que era gerente de Tecnologia de Instalações. Ele disse que, nesse período, recebia quantias que variavam entre US$ 25 mil a US$ 50 mil por mês.

Em 2007 foi firmado outro contrato entre a SBM e a Petrobras, dessa vez para o fornecimento de um navio-plataforma chamado P57, um contrato de R$ 1,25 bilhão. Barusco era então gerente executivo de Engenharia e recebeu 1% do total entre 2007 e 2010. Ele disse que recebeu, só pelos contratos entre a Petrobras e a SBM, US$ 22 milhões entre 1997 e 2010.

Em 2011, aposentou-se da Petrobras e virou diretor da Setebrasil, empresa que venceu licitações para executar 28 contratos de construção de sondas de perfuração do a Petrobras. Para isso, a empresa contratou estaleiros. Os contratos de operação entre a Setebrasil e a Petrobras eram de US$ 500 mil por dia de operação para as primeiras sete sondas e de US$ 530 mil para as outras 21. O total é de US$ 22 bilhões.

O depoimento de Barusco à CPI foi fruto de um acordo entre os diversos partidos e o relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), que queria ouvir primeiro os ex-presidentes da Petrobras Sérgio Gabrielli e Maria das Graças Foster.

Reportagem - Antônio Vital
Edição - Newton Araújo

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Comentários

Marilia | 10/03/2015 - 09h39
eu só não vejo este dinheiro voltar para a Petrobras que a cada dia que passa desce um degrau e tira do nosso bolso mais um pouco!!!!
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