Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

09/10/2014 - 13h36 Atualizado em 29/01/2015 - 10h11

Homens brancos representam 80% dos eleitos para a Câmara

Entre os eleitos, 15,8% se declararam pardos e apenas 4,1%, pretos. Para especialista da UFRJ, baixa representatividade é reflexo da falta de candidaturas.

A bancada federal eleita para a próxima legislatura é composta por 80% de homens brancos. Entre os eleitos, 15,8% se declararam pardos e apenas 4,1%, pretos. No caso das mulheres, elas representarão quase 10% da Câmara dos Deputados no início de 2015. No conjunto de deputados, as pardas serão 1,6% e as pretas, 0,6%. Nenhum índio foi eleito.

De acordo o sociólogo e professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Luiz Augusto Campos, a baixa representatividade desses grupos no parlamento não reflete uma ausência de candidaturas entre esses segmentos. “Se a gente observa os dados disponibilizados pelo TSE, por exemplo, a gente vai ver que apenas comparativamente com a composição da Câmara 43% dos candidatos eram homens brancos. Quando a gente vai, por exemplo, para a composição da Câmara, esses 43% de candidatos se transformam em 72% de deputados federais eleitos”, calcula.

Para Luiz Augusto Campos, algumas discussões no parlamento são afetadas pela baixa representatividade de negros e mulheres no Legislativo. “Quando a gente observa um parlamento que tem 0,6% de mulheres pretas, fica difícil acreditar que serão discutidos os problemas desse setor da população com a qualidade necessária. Esse setor da população fica relegado a uma situação totalmente, ou quase totalmente, excluída das discussões políticas”, analisa.

Segundo o IBGE, as mulheres representam metade da população brasileira. Pelo Censo de 2010, 43% dos brasileiros se declaram pardos e 7,6%, pretos.

Divulgação
Deputada Benedita da Silva (PT-RJ)
Benedita da Silva faz parte das 0,6% mulheres pretas eleitas para a legislatura de 2015.

Reforma política
Reeleita para a próxima legislatura com mais de 48 mil votos, a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) faz parte do 0,6% de mulheres pretas na Câmara em 2015. Ela entende que, sem uma reforma política com financiamento público de campanha, será difícil ampliar a participação da população negra no Legislativo.

“Os quadros existem, os negros estão aí, desde que haja condições financeiras de fazer em pé de igualdade a campanha que os outros fazem. Para quem levanta essas bandeiras, você não tem quem se interesse em contribuir com sua campanha. Pode achar muito linda sua história de vida, pode achar que é importante ter negros e negras, mas, quando é o financiamento privado, ele vai procurar dar recursos àqueles que o representam”, diz.

Além do financiamento, o professor da UERJ Luiz Augusto Campos sugere mudanças legais que introduzam cotas para negros entre as candidaturas registradas pelos partidos, a exemplo do que existe para as mulheres.

Reportagem – Ana Raquel Macedo
Edição – Rachel Librelon

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'



Comentários

Erasmo Neto | 22/10/2014 - 16h07
"Hoje as figuras, que se desenham no campo visual do nosso destino, são as nações e as raças. Aquelas grandes ditaduras acabaram. Os povos obedecem às suas vontades. Tudo está em saber que leis, ou que arcanos supremos animarão essas correntes vivas, e preservarão de terminar em catástrofes os seus encontros formidáveis".Rui Barbosa.
rubens | 13/10/2014 - 08h21
Cotas? Precisa de cotas não. Os negros são maioria no Brasil. Mas o povo não vota por raça, porque o povo não é racista, mas alguns tipos de políticos, principalmente quem tem alguma "dívida" com a sociedade adora falar em cotas.
Erasmo Neto | 10/10/2014 - 01h04
Quem paga é o povo seja financiamento publico ou privado.Tem negros com condições de financiar,não fazem por quê?