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28/03/2014 - 19h06

Jango tinha 70% de aprovação às vésperas do golpe de 64, aponta pesquisa

Levantamento do Ibope contradiz suposta fragilidade do governo de João Goulart, um dos argumentos usados pelos militares para tomar o poder, há 50 anos. Reportagem especial retrata a opinião de deputados e especialistas sobre esse período da história brasileira.

Assista à íntegra da entrevista do professor Luiz Antônio Dias ao programa Ponto de Vista.

Pesquisas feitas pelo Ibope às vésperas do golpe de 31 de março de 1964 mostram que o então presidente da República, João Goulart, deposto pelos militares, tinha amplo apoio popular. Doadas à Universidade de Campinhas (Unicamp) em 2003, as sondagens não foram reveladas à época.

Pelos números levantados, Jango, como Goulart também era conhecido, ganharia as eleições do ano seguinte se elas tivessem ocorrido. Entrevistas realizadas na cidade de São Paulo na semana anterior ao golpe mostravam que quase 70% da população aprovavam as medidas do governo.

Em alusão aos 50 anos do golpe de 1964, a Câmara dos Deputados promoverá uma sessão solene nesta terça-feira (1º)  para homenagear a resistência à ditadura militar.

Pesquisa contradiz militares
O professor Luiz Antônio Dias, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), afirma que uma das pesquisas do Ibope, desconhecida durante 40 anos, havia sido encomendada pela Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio), que fazia oposição a Jango. Ele participou do programa Ponto de Vista, da TV Câmara. O especialista destaca que o levantamento derruba uma das justificativas dos militares para tomarem o poder em 1964: a de que o governo de João Goulart era frágil e impopular.

"Muitos historiadores, até dez anos atrás, ainda tinham essa ideia de que Goulart caiu porque era frágil, não tinha o apoio dos partidos e, sobretudo, da população", comenta Dias.

Radicalização ideológica
Historiador da Universidade de Brasília (UnB), Antonio Barbosa ressalta o clima de polarização ideológica que o País vivia. Para os opositores, Jango representava uma "ameaça comunista". "A partir de 1963, cria-se um quadro de crescente radicalização: a Igreja Católica, o empresariado, as Forças Armadas e a imprensa vão assumir uma posição contrária às reformas defendidas por Jango, identificadas como a ‘comunização’, a ‘esquerdização’, a ‘bolchevização’ do Brasil", explica.

Arquivo/ Leonardo Prado
Jair Bolsonaro
Bolsonaro defende militares: "Sociedade queria afastar fantasma da ditadura do proletariado".

Mas para o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), o perigo comunista era real: "Estávamos à beira de ser implantada aqui a ditadura do proletariado. Os empresários e a igreja queriam que os militares assumissem o poder. Ou seja, toda sociedade queria afastar o fantasma da ditadura do proletariado que estava presente em nosso país."

Já o deputado Chico Alencar (Psol-RJ) acredita que a população foi manipulada: "Criou-se a ideia de que o Brasil estava em um caos total, que Jango queria implantar o comunismo. Era a época da ‘guerra fria’, da forte polarização entre União Soviética e Estados Unidos, e acabaram fazendo uma manipulação grosseira para influenciar a opinião pública."

Imprensa
O professor Luiz Antônio Dias vai além e diz que a grande imprensa participou da articulação do golpe militar. Segundo ele, esse movimento inclui todos os maiores jornais da época, como: Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil.

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Na opinião de Alencar, população foi manipulada para acreditar que Jango queria implantar o comunismo.

"Eram recorrentes matérias ou editorais vinculando o governo aos comunistas. Não me lembro de ter visto nenhuma afirmação direta de que Goulart fosse comunista, mas era muito comum, por exemplo, atribuir ao Ministério da Educação, um programa comunista, como a criação de cartilhas para doutrinar nossos jovens", informa. "Outra situação relativamente comum, tanto na Folha quanto no Estadão, era a preocupação com a possibilidade de Goulart dar um golpe para se manter no poder", completa.

Dias lembra que o jornal A Última Hora, que apoiava o governo Jango, sofreu boicote de anunciantes e foi à falência, até ser comprado pela Folha de S.Paulo.

Reportagem – Mauro Ceccherini
Edição – Marcelo Oliveira

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Comentários

Pedro Múrias | 27/02/2018 - 11h57
Infelizmente a História é escrita pelos vencedores. João Goulart, foi um grande Estadista, e não o Playboy irresponsável que os Historiadores Caluniosos o caracterizavam.Em 1961, aceitou a implementação do Parlamentarismo, para evitar uma Guerra Civil Sangrenta. O mesmo fez no Golpe de 1964 de novo para evitar um Mar de Sangue. Como disse o Professor Darcy Ribeiro o Governo João Goulart caíu não, por seus defeitos mas por suas virtudes. Nas vésperas do Golpe de 64 João Goulart, segundo pesquisa do Ibop, tinha o Apoio de 70% do Povo Brasileiro.
Fernnando PF | 24/02/2018 - 13h59
Ahh o "Datafoice" (da "Foice de São Paulo") que fez essa pesquisa é? A ta acredito em Papai Noel agora, ta bom. Se Jango era tão popular assim então porque ele só conseguia reunir menos de 100 mil pessoas em seus discursos e o movimento contrario a ele conseguia reunir mais de 500 mil? Só falta agora o "Datafoice" falar que a maioria da população foi contra o Impeachment da Dilma.
Russo | 08/09/2017 - 19h04
O que Jango fazia passava galáxias distante de ser comunismo. De fato, o qye houve foi histeria paralela a guerra fria somada a maiores ambições da burguesia. No fim, nos livramos do ditador demoníaco caindo nas garras dos generais infernais, da panela para o fogo, do 6 pelo meia dúzia, e tome pancada nos peitos de quem sempre mais se arrebenta.....o contribuinte plebeu!