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23/04/2012 - 08h17

Votação do Código Florestal é destaque da pauta do Plenário

Deputados começarão a analisar parecer de Paulo Piau nesta terça-feira (24). Relator fez 21 mudanças (sete delas de mérito) no texto aprovado no Senado. Pauta das sessões ordinárias da Câmara está trancada por oito MPs.

A votação do texto do Senado para o Código Florestal (PL 1876/99) é o destaque da pauta do Plenário nesta semana. A análise do relatório do deputado Paulo Piau (PMDB-MG) começa terça-feira (24), conforme acordo de líderes.

O relator não liberou o seu parecer, mas adiantou que vai propor a retirada das regras de recuperação das áreas de preservação permanente (APPs) em torno dos rios. Os textos aprovados tanto na Câmara quanto no Senado estipulam que, para cursos d’água com até 10 metros de largura, os produtores rurais devem recompor 15 metros de vegetação nativa.

A retirada de outros dois dispositivos do texto do Senado atende aos ruralistas. O primeiro dividia os produtores rurais em categorias para receber incentivos; o segundo impedia o recebimento de crédito agrícola por produtores que não promovessem a regularização ambiental em cinco anos.

Ao todo, são 21 mudanças propostas por Piau e algumas delas deverão ser decididas por meio de destaques  para votação em separado, a favor ou contra o parecer do relator, seja para manter o texto da Câmara ou o do Senado. Nesta fase do processo legislativo, o Regimento Interno não permite a criação de novos textos, apenas a montagem da redação final com partes do substitutivo do Senado e da Câmara; ou a aprovação integral de uma das versões.

Pauta trancada
As sessões ordinárias continuam com a pauta trancada. A primeira das oito MPs com prazo de tramitação vencido é a 554/11, que permite ao governo criar uma linha de crédito para estocagem de álcool combustível (etanol) com recursos da Cide – Combustível. A linha já foi criada pela Resolução 4.055/12, do Conselho Monetário Nacional (CMN); está previsto que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá emprestar até R$ 2,5 bilhões, enquanto outros bancos federais que operam com recursos da Poupança Rural poderão financiar até R$ 2 bilhões.

Confira as outras MPs que trancam os trabalhos:

- 555/11: autoriza o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) a prorrogar contratos com várias entidades até 31 de dezembro de 2012;

- 556/11: faz várias mudanças na legislação tributária e altera o Plano de Seguridade do Servidor Público (Lei 10.887/04) para ampliar o rol dos adicionais que ficam isentos da contribuição previdenciária;

- 557/11: institui o Sistema Nacional de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento da Gestante e Puérpera [mulher que deu à luz recentemente] para Prevenção da Mortalidade Materna;

- 558/12: altera os limites de três parques nacionais (da Amazônia, dos Campos Amazônicos e de Mapinguari); das florestas nacionais de Itaituba 1, Itaituba 2 e do Crepori; e da Área de Proteção Ambiental do Tapajós – todos situados na região amazônica;

- 559/12: autoriza as Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras) a adquirir o controle acionário (51% das ações) da Celg Distribuição S.A. (Celg D);

- 560/12 : abre crédito extraordinário de R$ 40 milhões para o Ministério da Defesa recuperar a Estação Comandante Ferraz, base brasileira de pesquisa na Antártica atingida por um incêndio no dia 25 de fevereiro deste ano; e

- 561/12: transfere a propriedade de imóveis financiados pelo programa Minha Casa, Minha Vida para a mulher em caso de separação, divórcio ou dissolução de união estável.

Reportagem - Eduardo Piovesan
Edição - Marcelo Oliveira

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Comentários

aristoteles | 24/04/2012 - 14h52
O código florestal atual é ruim, precisa ser atualizado para adequar-se à realidade do setor rural. O texto do Senado é razoável, porque visou à segurança jurídica das atividades rurais (embora pudesse ser bem melhor do ponto de vista do mérito). Já esta proposta do Piau flerta com a irresponsabilidade, mantendo os agricultores à mercê de regulamentações posteriores e à atuação nem sempre razoável do Ministério Público, que às vezes confunde pequenos e médios agricultores - desesperados para manterem a cabeça fora d'água - com verdadeiros criminosos ambientais.
Thiago Azevedo | 24/04/2012 - 02h50
Jean, destruir um Código Florestal decente como o atual não fará com que agricultores que não tenham subsídio do governo ou capacidade de administrar logrem êxito. É ridículo o que estão fazendo.
Davi | 23/04/2012 - 20h28
Eu não tenho pressa com essa votação. Porque não apressam para votar o fim do voto obrigatório, ou a redução da jornada de trabalho?. Sabe, existem agricultores que souberam preservar, porém outros optaram por desprezar a lei, desmatando as beiradas dos rios e morros, talvez por ignorância, mas devemos evoluir e recuperar o que foi desmatado. Ser um povo educado é a fonte para o progresso da nossa nação. Essa reserva serve para presevar nossa fauna e flora que é do povo brasileiro e não dos latifundiários.
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