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24/10/2017 - 20h34

Desafio para o Brasil é propor soluções práticas na Conferência sobre o Clima

Representantes do governo avaliaram participação do Brasil na COP 23, que acontece na Alemanha, em novembro. Presidente da Comissão Mista sobre Mudanças Climáticas criticou cortes no orçamento do Meio Ambiente

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Meio Ambiente - queimada e desmatamento - derrubada árvores madeireira madeira ilegal
Cortes no Orçamento na área de fiscalização ambiental serão de 57%, segundo Jorge Viana, presidente da Comissão Mista de Mudanças Climáticas

Na COP 21, em 2015, as negociações internacionais para o enfrentamento das mudanças climáticas foram um sucesso: os 195 países chegaram ao Acordo de Paris, que tem o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa para manter a temperatura média global em no máximo dois graus acima da média registrada na era pré-industrial, há duzentos anos.

O compromisso assumido pelo Brasil foi um dos mais ambiciosos, e elogiado pela comunidade política e científica internacional. Mas agora, na Cop 23, o Brasil terá o desafio de propor soluções práticas, de acordo com o Secretário de Mudanças do Clima e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Everton Frask Lucero.

“Nossa contribuição foi avaliada cientificamente, inclusive por publicação em periódicos científicos internacionais, como a única compatível com a limitação de dois graus prevista no acordo de Paris. Isso exigirá do governo, do Congresso, da sociedade brasileira, um esforço muito grande, um esforço de convencimento, de que nós estamos rumando para um novo padrão de desenvolvimento do país, um padrão de desenvolvimento sustentável e alinhado com a criação de uma economia de baixo carbono no longo prazo”, afirmou.

A fala de Lucero aconteceu durante audiência pública na Comissão Mista de Mudanças Climáticas, realizada nesta terça (24), para debater a participação do Brasil na COP 23, a Conferência da ONU sobre o Clima, que vai acontecer a partir de 6 de novembro em Bonn, na Alemanha.

Agricultura vulnerável
Para o representante do Ministério da Agricultura, Pedro Corrêa Neto, a participação do ministério deve dar suporte técnico ao governo brasileiro nas negociações da COP, garantindo o protagonismo da produção agropecuária do país.

“O setor da agricultura é extremamente vulnerável a essas flutuações climáticas e eventos extremos que a gente vem observando e que se repetem com frequência cada vez maior”, disse. Ele afirmou, no entanto, que a agricultura e a pecuária no nosso país, mesmo com todo avanço que elas ainda precisam ter, já são sustentáveis.

Cortes no orçamento
O presidente da Comissão, senador Jorge Viana (PT-AC), lamentou o corte orçamentário do Ministério do Meio Ambiente, previsto para 2018.

“Para controle e fiscalização ambiental, o corte é de 57%. É como se estivéssemos plantando vento; vamos colher tempestade. Está sendo retirado dinheiro no item desmatamento, está prevista uma redução de 60% na verba para o monitoramento espacial realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, o Inpe. A repercussão desse corte orçamentário do Ministério do Meio Ambiente será grande em Bonn, na Alemanha”, afirmou o senador.

A delegação brasileira na COP 23 vai realizar uma reunião no dia 15 de novembro, em Bonn, na Alemanha, para discutir com o público a agenda legislativa para os próximos anos em relação ao desenvolvimento sustentável.

Reportagem - Cynthia Sims
Edição – Roberto Seabra

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