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20/09/2017 - 14h18

Parlamentares cobram debate 'sem ideologia' sobre a proibição de agrotóxicos

Lúcio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre os efeitos dos agrotóxicos no meio ambiente e na saúde. Gerente da Unidade Técnica da Exposição Ocupacional, Ambiental e Câncer do Inca, Ubirani Otero
Ubirani Otero, do Instituto Nacional do Câncer (Inca): "Agrotóxicos devem ser tratados como questão de saúde pública"

Os deputados Valdir Colatto (PMDB-SC) e Adilton Sachetti (PSB-MT) criticaram a ausência de cientistas com posições divergentes sobre os efeitos dos agrotóxicos, durante a apresentação de estudos científicos na audiência pública desta terça-feira (19) da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Segundo eles, o tema precisa ser debatido "sem ideologia".

Integrante da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida, Carla Bueno reconhece que não é possível banir o uso de agrotóxicos repentinamente. Ela defendeu uma gradual transição agroecológica para a agricultura brasileira. "O modelo deve ser o da erradicação da fome e da garantia da soberania alimentar", disse.

Também apresentou dados para sustentar que 75% dos agrotóxicos utilizados na agricultura vão para as commodities (soja, milho etc.), "o que torna a cadeia produtiva do agronegócio dependente do agrotóxico". Ainda segundo Carla Bueno, 66% dos agrotóxicos usados no Brasil vêm de quatro grandes empresas estrangeiras: Monsanto/Bayer, Dupont, Basf, Syngenta. Das 50 substâncias mais usadas no Brasil, 22 são proibidas no exterior.

Saúde pública
Ubirani Otero, que é gerente da Unidade Técnica da Exposição Ocupacional, Ambiental e Câncer do Instituto Nacional do Câncer (Inca), defende que os agrotóxicos devem ser tratados como questão de saúde pública.

Além de leucemia e câncer não-hodgkin, os estudos demonstram "forte associação da exposição aos agrotóxicos em agricultores e câncer de mama, de próstata e de cérebro". Também mostrou tendências de agravos crônicos à saúde associados a agrotóxicos em região de fruticultura no Ceará. Ubirani lembrou ainda que, desde 2015, o Inca se posicionou pela substituição gradativa e sustentada dos agrotóxicos, com apoio à agroecologia.

Repúdio
A secretária-executiva do Fórum Paulista de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, Ana Marina de Lima, manifestou repúdio ao projeto de defensivos fitossanitários e cobrou rápida tramitação de propostas (PLs 740/03 e 1014/15) que proíbem a pulverização aérea de agrotóxicos.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Newton Araújo

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