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11/09/2017 - 19h56

Deputados e especialistas defendem a adoção de medidas para preservação do cerrado

A inclusão do bioma entre os patrimônios naturais do Brasil e o boicote à agropecuária fruto de desmatamento ilegal foram algumas das sugestões apontadas em evento na Câmara

Em alusão ao Dia do Cerrado, celebrado em 11 de setembro, o Núcleo de Gestão Socioambiental da Câmara dos Deputados (EcoCâmara) realizou nesta segunda-feira, em conjunto com entidades ligadas ao cerrado, um seminário para discutir a preservação desse bioma.

Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Solenidade ‘O berço das águas pede socorro’. Lúcio Henrique Xavier Lopes, Diretor-Geral da Câmara dos Deputados.
O diretor-geral da Câmara, Lúcio Henrique Xavier Lopes, participou do seminário "O berço das águas pede socorro"

O presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Cerrado, deputado Augusto Carvalho (SD-DF), afirmou que o bioma não conta ainda com um sistema de proteção eficaz. O parlamentar defendeu a inclusão do cerrado entre os patrimônios naturais do Brasil. “A partir daí, teremos normas de plantio mais detalhadas, quantidade de desmatamento permitido nas propriedades privadas. É preciso haver um tratamento diferenciado para um bioma que está sendo devastado sem qualquer preocupação com o futuro."

A professora da Universidade de Brasília (UnB) Mercedes Bustamante informou que, nos últimos 50 anos, o desmatamento fez com que o cerrado perdesse metade de sua cobertura original. Isso, alertou a docente, levou ao aumento da temperatura do solo e a consequentes secas. “A vegetação tem papel importante na transferência de água do solo para a atmosfera. Se a gente muda a cobertura vegetal, modifica também esses processos de transferência de água na escala local e regional”, explicou.

Fiscalização
O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, destacou que o desmatamento na Amazônia voltou a diminuir devido a operações de comando e controle, ou seja, pela ação fiscalizadora do Estado. Ele sustentou que as mesmas medidas sejam implementadas no cerrado, tais como a contenção na produção de soja e na criação de gado.

Sarney Filho salientou ainda a importância de mecanismos de controle feitos pelo próprio mercado. “É preciso haver um termo de ajustamento de conduta para que as empresas só comprem carne oriundas de rebanhos criados em áreas legalizadas, para que os plantadores de soja só consigam vender se o grão não tiver sido fruto de desmatamento ilegal”, apontou.

Produtores do cerrado que participaram do seminário concordaram que o desmatamento já está prejudicando o abastecimento de água na região central do País e que é preciso tomar medidas para reverter esse quadro.

O evento foi promovido pelo EcoCâmara em parceria com as entidades: Aliança Cerrado; Associação Alternativa Terrazul; Comitê Estudantil pelo Meio Ambiente (CEMA-UnB); Centro de Excelência do Cerrado (Cerratenses); Ecodata; Fundação Mais Cerrado; Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN); e Movimento Cerrado Vivo.

Reportagem – Karla Alessandra
Edição – Marcelo Oliveira

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