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08/09/2017 - 10h35

Debatedores afirmam que crise hídrica não compromete fornecimento de energia no Nordeste

Apesar de declararem que a situação está controlável nos próximos meses, os participantes da audiência manifestaram preocupação com a continuidade da crise hídrica na região e com futuras crises que o País possa enfrentar

Divulgação/Ministério da Integração Nacional
Governo - obras públicas - transposição do Rio São Francisco foto em agosto 2015
O Vale do São Francisco abrange do estado de Minas Gerais até Sergipe e Alagoas, passando por Bahia e parte de Pernambuco

Participantes de audiência pública realizada nesta quarta-feira (6) pela Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas afirmaram que apesar da grave crise hídrica na região do Vale do São Francisco e no reservatório da barragem de Sobradinho não haverá um comprometimento na distribuição de energia para o Nordeste.

O diretor de Operação da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), João Henrique de Araujo Franklin Neto, ressaltou que a vazão mínima em Sobradinho baixou de 1.300 m³ por segundo em 2013 para 550 metros³ em setembro de 2017. Ele explicou que a preocupação da Chesf é com a garantia do abastecimento humano e projetos de irrigação e não com questão energética.

Franklin Neto destacou que o setor elétrico tem fontes alternativas que garantem uma segurança energética para o Nordeste, entre elas as eólicas e térmicas. João Henrique informou que atualmente apenas 15% da demanda energética do Nordeste são atendidos, em termos de consumo energético, pelo São Francisco. Em contrapartida, segundo ele, no último final de semana houve uma geração de 6.800 megawatts (MW) pela fonte eólica, representando 65% do atendimento ao consumo do Nordeste.

“Nessa hora, chegamos a exportar energia para outras regiões do Brasil. Apesar da crise hídrica no São Francisco, o Nordeste é autossuficiente para gerar o atendimento necessário a seus consumidores e ainda exportar energia para outras regiões do País”, disse.

Medidas
Apesar de afirmarem que a situação está controlável nos próximos meses, os debatedores manifestaram preocupação com a continuidade da crise hídrica na região e com futuras crises que o País possa enfrentar. Todos concordaram que a luta contra a crise hídrica tem que ser nacional e integrada.

Segundo o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo, medidas estruturantes precisam ser colocadas em prática no São Francisco para que, numa outra crise futura, a região tenha melhor condição de segurança hídrica.

Para Guillo, é preciso que todos os atores se envolvam e se comprometam no sentido de compartilhar o processo de decisão das medidas que serão tomadas. “Estamos falando de uma bacia de 630 mil Km². O gerenciamento de uma crise precisa buscar repartir os riscos em toda a bacia”, ponderou.

O diretor-presidente da ANA também apontou como medida estruturante fundamental a mudança da prioridade da bacia do São Francisco da geração de hidroeletricidade para segurança hídrica. “Significa que, evidentemente, a geração hidrelétrica deve ser mantida como prioridade, mas não mais como uma prioridade que determine a condição de operação dos reservatórios. Eles têm que ser operados para manter a segurança hídrica”, afirmou.

Representantes da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) destacaram o trabalho que tem sido feito pela companhia para atender a demanda para o abastecimento humano e para projetos de irrigação. Desassoreamento de canais e instalação de sistemas de captação sobre flutuantes foram algumas das medidas mencionadas pelo diretor da Companhia, Luis Napoleão Casado. No entanto, ele ressaltou o limite orçamentário da Codevasf e pediu apoio na arrecadação de recursos e na realização dessas obras.

Comissão
A Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas é presidida pelo senador Fernando Bezerra Coelho (PMDB-PE), que propôs o debate. O vice-presidente é o deputado Daniel Vilela (PMDB-GO) e o relator o deputado Sergio Souza (PMDB-PR).

Da Redação - MB
Com informações da Agência Senado

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