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21/06/2017 - 15h14

Debatedores defendem aumento do uso do controle biológico de pragas na agricultura

Bernardo Hélio
Agrotóxicos
Ministério da Saúde reconheceu que dados sobre intoxicação por defensivos agrícolas são insuficientes, mas produtores reclamam da pouca oferta e má distribuição do controle biológico de pragas

O uso de vírus, fungos e bactérias e de predadores naturais – como joaninhas, aranhas e ácaros – para combater pragas na agricultura, o chamado controle biológico de pragas, é uma alternativa aos tradicionais agrotóxicos menos agressiva ao meio ambiente e ao homem.

Especialistas discutiram estratégias para estimular essas tecnologias em seminário da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, da Câmara dos Deputados, na terça-feira (20).

Vice-Presidente da Associação Brasileira de Empresas de Controle Biológico, Ari Gitz, apontou as mudanças de hábito e o desejo dos consumidores de adquirirem alimentos livres de químicos como principais motivadores para o mercado de biodefensivos, que já movimenta 4 bilhões de dólares por ano, no mundo. No Brasil, são 56 empresas e 195 produtos registrados.

Alternativa e gargalos
Ari Gitz destacou que o controle biológico de pragas já é uma alternativa viável. "Eles funcionam muito bem e podem ocupar o espaço dos químicos, sim. Podem controlar insetos e doenças, mas é uma tecnologia nova. Nós temos no Brasil uma cultura do uso de químicos, mas isso está sendo mudado lentamente", afirmou.

O gargalo para o maior uso de biodefensivos, segundo a associação, é a difusão do conhecimento e a capacitação técnica em todo País. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já atua para otimizar o controle biológico de pragas e promoveu uma caravana a 18 estados e 35 polos de produção levando a tecnologia.

Mais uma ferramenta
O biólogo Sérgio da Silva, pesquisador da Embrapa, explicou que o controle biológico é mais uma ferramenta para o manejo integrado de pragas. Ele citou uma experiência na qual o biodefensivos foi mais eficaz que o agroquímico para o combate à helicoverpa, lagarta que atinge as lavouras de milho, soja e algodão.

"Era uma praga exótica que não tinha no Brasil até 2013. Os produtores estavam usando produtos químicos para uma praga que não conheciam, e essa praga era resistente geneticamente aos produtos, então, tivemos que propor o uso de controle biológico com vírus e bactérias”, relatou o pesquisador.

“Alguns produtores chegaram para nós e falaram: ‘Vocês estão sonhando; nós estamos usando os agroquímicos mais fortes que existem e não controlamos, agora, vocês propõem usar vírus na lavoura?’ É, nós vamos usar essa tática para reduzir o impacto desses agroquímicos, restabelecer o controle biológico através dos inimigos naturais que temos na lavoura, buscando o equilíbrio agroecológico nessa área", destacou.

Dificuldades
Autor do requerimento para o seminário, o deputado Nilto Tatto (PT-SP) defendeu que um dos objetivos do Brasil nessa área deve ser o fim do uso de agrotóxicos, mas reconhece as dificuldades.

"A gente precisa entender que há interesses para a manutenção do uso de agroquímicos. É ingenuidade achar que as empresas que produzem os agrotóxicos não escamoteiam pesquisas, não influenciam em resultados e não fazem um trabalho de base para poder manter o seu lucro", criticou.

Produtores de agrotóxicos
A associação das empresas produtoras de agrotóxicos – Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) – foi convidada para participar do seminário, mas não compareceu.

Reportagem – Geórgia Moraes
Edição – Newton Araújo

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