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07/06/2017 - 20h43

Especialistas defendem turismo sustentável em áreas de preservação ambiental

Lúcio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados
Seminário: As Unidades de Conservação no Brasil: Situação Atual e Oportunidades
Comissão de Meio Ambiente realizou seminário sobre a gestão de áreas protegidas no Brasil

Especialistas afirmaram nesta quarta-feira (7), em seminário na Câmara dos Deputados, que o turismo é a melhor alternativa para conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental em unidades de conservação e em seu entorno.

A visitação pública, permitida em algumas unidades, como os parques nacionais, pode trazer resultados econômicos às comunidades locais. "O turismo em unidades de conservação gera 23 mil empregos e uma renda de R$ 4 bilhões", declarou o diretor de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Paulo Henrique Carneiro.

O diretor também apresentou outros dados sobre o potencial econômico das unidades de conservação. "Sete mil voluntários em mais de 130 unidades; geração de emprego e renda para 50 mil famílias extrativistas; hoje existem as concessões florestais com mais de 1 milhão de hectares de floresta no Norte, isso gera mais de 170 mil metros cúbicos de madeira legal por ano", afirmou.

O ICMBio é o órgão responsável pela gestão das 327 Unidades de Conservação federais, que são organizadas em 12 categorias, dentro de dois modelos básicos: as UCs de proteção integral à natureza e as UCs de uso sustentável dos recursos naturais.

Política ambiental
Paulo Henrique Carneiro comemorou o decreto presidencial que, no dia 5 de junho, ampliou a área do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, uma das unidades de conservação mais importantes do Centro-Oeste. O parque agora tem 240 mil hectares de Cerrado preservados, quase quatro vezes o tamanho original.

Já o presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, deputado Nilto Tatto (PT-SP), considera um desafio a promoção do turismo sustentável em áreas protegidas e o consequente impacto positivo nas economias locais. Tatto questionou o compromisso do governo federal e da Câmara com as questões ambientais.

"Estamos vivendo um retrocesso muito grande da política ambiental. Em um momento de crise econômica, com 14 milhões de desempregados, para ter base para votar as reformas, a agenda ambiental está entrando como moeda de troca nesse processo", afirmou o deputado.

Por outro lado, o superintendente do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade, Manoel Serrão, avaliou que a política ambiental brasileira continua bem-sucedida. "O Brasil, apesar dos pesares, continua sendo um exemplo global de sustentabilidade, de conservação, em particular quando a gente trata de unidades de conservação", afirmou.

Desmatamento
O pesquisador do Instituto Imazon, que faz o monitoramento extraoficial do desmatamento no Brasil, Heron Martins, ressaltou a situação crítica em algumas áreas da região Norte. "Hoje em dia, a grande fronteira do desmatamento é a BR-163, no sul do Amazonas, onde nós temos grandes áreas de unidades de conservação, o que gera grandes conflitos", disse Martins.

Em relação ao desenvolvimento sustentável no entorno das UCs, uma voz dissonante foi a do conselheiro da Rede Pró Unidades de Conservação, Clóvis Borges.

"Há uma percepção prática de que muitos dos recursos de multas e de compensação acabam tendo uma destinação equivocada e que deveria existir, por parte do poder público, uma discussão mais aprofundada sobre isso. Estou falando de recursos utilizados para a execução de projetos. Indicador de conservação não é avanço social. Indicador de conservação não é quanto que rendeu a floresta. Fazer avanço social com dinheiro de conservação deveria ser crime", afirmou.

Os recursos recebidos por meio das taxas de visitação dos parques e das multas por crimes ambientais devem ser aplicados no próprio manejo de fauna e flora.

O seminário desta quarta-feira foi realizado pela Comissão de Meio de Ambiente como parte da programação da Câmara dos Deputados para a Semana do Meio Ambiente.

Reportagem – Cynthia Sims
Edição – Pierre Triboli

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