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01/06/2017 - 13h46

Especialistas apontam riscos gerados pela degradação dos biomas

Entre os problemas estão falta de água, expulsão de comunidades locais e consequente inchaço de periferias

Lúcio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre os desdobramentos da PEC 504/2010, que reconhece os Biomas, Caatinga e Cerrado como Patrimônio Nacional, nas políticas públicas de desenvolvimento urbano e moradia popular. Representante da Coordenação da Campanha em Defesa do Cerrado, Isolete Wichinieski
Isolete Wichinieski:  agronegócio é responsável pelo mau uso da água no campo e desperdiça o bem

A falta de água nas cidades foi um dos pontos mais mencionados no debate como consequência da destruição dos biomas, principalmente do Cerrado. A representante da Coordenação da Campanha em Defesa do Cerrado, Isolete Wichinieski, lembrou que o Cerrado é considerado o “berço das águas” e que diversas cidades brasileiras sofrem atualmente com a falta do recurso.

“O bioma Cerrado é fundamental para o Brasil e a América do Sul. As águas que saem do nosso Cerrado vão para a Argentina e o Paraguai”, completou.

Também para Wichinieski, o agronegócio é responsável pelo mau uso da água no campo e desperdiça o bem por meio dos pivôs de irrigação. “Quem consome mais água hoje é a agricultura. Muita dessa água é desperdiçada até chegar à plantação. Apenas 10% do consumo de água é destinado às pessoas”, disse.

Assessor de Políticas da organização ActionAid no Brasil, Gerardo Cerdas Vega acrescentou que a coletividade está pagando pelo desperdício de um recurso comum por poucos. “Quando a gente exporta soja, a gente exporta imensos volumes de água mal utilizada em benefício de grandes capitais, que muitas vezes não são brasileiros”, observou.

Êxodo 
Os debatedores mencionaram ainda, como consequência da não preservação dos biomas, a expulsão das pessoas do campo e o consequente inchaço das periferias das grandes cidades, com a precarização da vida nesses espaços. Representantes de populações tradicionais saíram em defesa da PEC 504 como forma também de se manter na floresta.

“É muito importante preservar esse bioma, porque é dele que nós vivemos. Lá nós temos um sustento e temos nossa vida”, relatou a representante do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu Maria do Socorro Lima.

“Se a água desaparece, a terra se desmancha, a água se vinga da falta da mata. A raízes das árvores é que sustentam a terra, mas passa o trator e vai causando as erosões. Quando não é isso, é fogo, é envenenamento”, afirmou ainda, condenando monoculturas, como a de eucalipto.

Na avaliação de Maria de Fatima Barros, da Associação Nacional dos Quilombolas, a aprovação da PEC 504 é uma forma de as populações tradicionais continuarem existindo e resistindo. “Temos resistido a todas as ameaças, aos ataques, à mão violenta do latifúndio, às perseguições e ao Estado, que tem constantemente tentado nos retirar dos nossos territórios”, reiterou.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Rachel Librelon

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