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11/04/2018 - 15h28

Operadores do sistema elétrico acreditam que privatização da Eletrobras pode fragilizar sistema

Deputada lembra que decisão transfere para as empresas privadas o controle das águas das usinas hidrelétricas

Marcello Casal Jr./Agência Brasil
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Operadores criticaram a redução de investimentos no setor elétrico, imposta pelas empresas privadas que já fazem parte do sistema 

Para representantes dos operadores do sistema elétrico, a privatização da Eletrobras (Projeto de Lei 9463/18) pode tornar o sistema mais frágil, causando problemas semelhantes ao blecaute do dia 21 de março que atingiu 70 milhões de pessoas no Norte e Nordeste. O 8º Encontro Nacional dos Operadores ocorreu na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (11) com a presença de vários parlamentares contrários à privatização.

Para Sérgio Vieira, da Associação de Profissionais em Operação de Usinas e Subestações, um simples desligamento de linha não teria causado o blecaute se o sistema tivesse máquinas hidráulicas suficientes para suportar a carga extra. Ele explica que isso também ocorre em função da redução de custos imposta pelas empresas privadas que já fazem parte do sistema.

"Esse teste, até bem pouco tempo atrás, era impedido de ser feito em horário de ponta de carga, horário que tem mais carga no sistema justamente para evitar alguma oscilação neste corte. Infelizmente, o nosso controle operacional do sistema agora está liberando estes horários. Para as empresas economizarem em horas extras, não se faz mais no período noturno ou final de semana. E as empresas também querem adiantar o cronograma das obras, querem fazer o mais rápido possível estes testes e acabam colocando o sistema em risco”, explicou Vieira.

Apagão
O Operador Nacional do Sistema Elétrico informou este mês que o apagão foi causado por um ajuste de proteção indevido no disjuntor da Subestação Xingu, no Pará. A empresa Belo Monte não teria informado ao ONS que havia estabelecido o limite de segurança no disjuntor. Como desconhecia o ajuste, o operador determinou a passagem de uma carga superior ao limite, e o sistema interrompeu a circulação de corrente entre os dois lados da subestação.

Vários deputados presentes na reunião, como a deputada Jô Moraes (PCdoB-MG), ressaltaram que a privatização também transfere para as empresas privadas o controle das águas das usinas hidrelétricas, além da energia. A deputada Erika Kokay (PT-DF) disse que o objetivo da venda é apenas pagar mais dívida pública.
"Isso me lembra as tragédias gregas, onde havia os deuses e os deuses ficavam enfurecidos. Porque o mercado tem sentimentos humanos, o mercado fica nervoso, o mercado fica tranquilo, o mercado é carinhoso, se humanizou o dito mercado. E naquela época das tragédias gregas, se ofereciam sacrifícios humanos para poder conter a fúria dos deuses. Não é diferente hoje", disse Kokay.

Tarifas
O relator do projeto de lei que trata da privatização, deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), tem afirmado que a ideia é reestruturar a empresa e transformá-la em uma grande corporação, de forma a melhorar sua gestão. Segundo ele, isso trará redução de tarifas.

Íntegra da proposta:

Reportagem - Sílvia Mugnatto
Edição – Roberto Seabra

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Comentários

Izarael Corletto | 12/04/2018 - 09h35
Infelizmente, todos os dias temos que convencer o maior numero de pessoas possíveis de que não precisamos mais de políticos, porque nada funciona, os políticos fazem as leis, alteram as leis, nomeiam todos os cargos comissionados, os gestores de todos os serviços prestados aos contribuintes,em todos os escalões, em troca de uma absurda carga tributário, tudo cada dia pior. Não tem porque termos mais políticos, agora precisamos vender o resto porque não existe capacidade para se fazer nada que preste. Só para se manter no poder,para tirar todo proveito possível, as custas do sofrimento muitos
André Sarmanho | 11/04/2018 - 15h49
O País não pode jamais ceder o controle,o domínio das fontes de energia a particulares e estrangeiros.Além de ser uma ameaça a soberania,também representa uma medida de extrema idiotice.Chega de entreguismos.Querem um exemplo:venderam toda a infraestrutura de telecomunicações da EMBRATEL a particulares,a estrangeiros,pois bem,quando cai um "link" ou problemas nas fiações/fibras óticas da empresa particular estrangeira que domina o mercado e as demais empresas do setor,o sistema cai completamente e o País para.Há algumas semanas um chinês causou um apagão no País.E aí,as contas vêm mandarim???