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06/12/2018 - 15h27

Entidades relatam dificuldades enfrentadas pelos artesãos no Brasil

Tema foi abordado em audiência pública promovida pela Comissão de Cultura

Parlamentares e representantes de entidades ligadas ao artesanato destacaram, nesta quarta-feira (5), a importância de iniciativas de apoio à atividade. Eles participaram de audiência pública promovida pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados. O evento debateu os 20 anos do projeto “Artesanato Solidário”.

Alex Ferreira/Câmara dos Deputados
6º Encontro Denominado
Fiandeiras de Minas Gerais demonstraram a arte delas durante o evento na Câmara

Idealizado pela ex-primeira dama da República Ruth Cardoso (falecida em 2008), o ArteSol atua na valorização e promoção do artesanato tradicional brasileiro, por meio de estratégias focadas na sustentabilidade ambiental, econômica, social e cultural de comunidades de baixa renda.

Participantes do debate na Câmara relataram as principais dificuldades enfrentadas pelo artesanato brasileiro.

A presidente da Central Veredas, entidade que reúne nove associações do noroeste de Minas Gerais, Maria Cleide Gomes do Nascimento Assis, explicou que um dos principais entraves é a necessidade de capital de giro, pois os artesãos precisam do produto final para ganhar dinheiro. “Eles próprias correm atrás da matéria-prima, enquanto, em qualquer outra forma de ofício, a pessoa tem parte do incentivo financeiro para trabalhar”, disse.

Colaboradora da Central Veredas e secretária de Cultura e Turismo de Unaí (MG), Luciana Risolia Navarro Cardoso Vale, acrescentou que as fiandeiras – profissionais de produzem tecidos de forma artesanal – demoram cerca de seis meses para concluir um trabalho e, só a partir daí, têm a possibilidade de serem remuneradas.

Falta de reconhecimento
Maria Cleide informou que a Central Veredas se organiza por meio de uma rede solidária, que compartilha toda a matéria-prima, desde a fibra até o corante extraído de folhas, frutos ou flores das plantas do cerrado. Ela reclamou da falta de reconhecimento nacional da atividade: “Estou desde 2004 nessa jornada e não é fácil. Temos pessoas capacitadas, somos conhecidos internacionalmente por conta do nosso trabalho, mas nacionalmente não conseguimos o mesmo reconhecimento”, comentou.

A deputada Raquel Muniz (PSD-MG), que presidiu a reunião, pediu mais apoio às associações de artesanato. Ela convidou as representantes da Central Veredas para um encontro com um estilista de São Paulo, a fim de difundirem a cooperativa para um grande mercado.

O deputado Tiririca (PR-SP) também compareceu à Comissão de Cultura e comentou sua experiência pessoal. Contou que, quando criança, a mãe viveu de artesanato por um tempo e, por isso, ele sabe “na pele como é doloroso e complicado viver disso, apesar de ser um dom lindo”.

Reportagem - Daniel Martins
Edição - Marcelo Oliveira

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