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14/11/2018 - 19h10

Câmara aprova a criação do Dia Nacional do Maracatu

A Câmara dos Deputados aprovou a criação do Dia Nacional do Maracatu, a ser celebrado em todo o território nacional, anualmente, no dia 1º de agosto (PL 7133/17). A data já é comemorada em Pernambuco desde 1997, por causa de uma lei estadual. O objetivo, agora, é que as celebrações alcancem todo o país.

Reprodução/TV Câmara
dep. Rubens Pereira Junior
Rubens Pereira Júnior defende que a proposta aprovada valoriza a identidade brasileira

O relator do projeto na Comissão de Constituição e Justiça, deputado Rubens Pereira Júnior (PCdoB-MA), defende que a ideia é valorizar a identidade brasileira.

"Estamos cumprindo um dispositivo da Constituição Federal segundo o qual a lei vai dispor sobre as datas comemorativas, de alta significação pra diferentes segmentos étnico-nacionais. É uma forma de promover a nossa cultura por meio do resgate da nossa memória, da afirmação da nossa cidadania e da valorização da identidade brasileira", afirma.

O Maracatu surgiu em Pernambuco, durante o período escravocrata, principalmente nas cidades de Recife, Olinda e Igarassu. Sua origem remonta aos séculos dezessete e dezoito.

Existem dois ritmos diferentes: o maracatu rural ou de baque solto e o maracatu nação ou de baque virado.

O maracatu rural é manifestação cultural que ocorre durante as comemorações do Carnaval e no período da Páscoa, tem como personagem central o Caboclo de Lança e tem dança, música e poesia. É associado ao ciclo canavieiro da Zona da Mata Norte de Pernambuco.

Já o Maracatu Nação tem a maioria dos grupos concentrada nas comunidades de bairros periféricos da região metropolitana de Recife, e traz um conjunto musical percussivo e um cortejo real, evocando as coroações de reis e rainhas do antigo Congo africano.

Os grupos apresentam um espetáculo recheado de simbologias e marcado pela beleza e pela musicalidade, que têm seu principal momento do ano nas apresentações do período carnavalesco.

Para ser reconhecido como maracatu nação, o grupo precisa ser ligado a uma religião de matriz africana e ocupar território fixo.

O batuque do maracatu é, em geral, dominado pelos homens. Mestra Joana, do Maracatu Encanto do Pina, foi a primeira mulher a comandar um batuque. Precisou que os búzios sinalizassem a autorização dos orixás para que, há dez anos, assumisse o posto no maracatu fundando por sua bisavó.

Ouça esta reportagem na Rádio Câmara

Mestra Joana conta que o trabalho da Nação Encanto do Pina vai muito além das apresentações.

"Aqui dentro da sede a gente tem o "Encantinho", que é um trabalho ligado diretamente com as crianças, jovens e adolescentes da comunidade. A gente faz atividades pedagógicas, oficinas de capoeira, de percussão, reforço escolar, dança. Além do trabalho que é feito também com as mulheres, o “Baque Mulher”, um maracatu só com mulheres, onde a gente trabalha o empoderamento feminino, a luta contra a opressão dentro da comunidade com as mulheres."

Para Mestra Joana, nada mais justo que levar mais conhecimento a respeito dessa manifestação cultural tipicamente brasileira a todos os rincões do país.

"O maracatu é comunidade, maracatu é luta, é resistência. Através do maracatu a gente proporciona novos caminhos e salva vidas de verdade. Temos vários jovens e adolescentes nossos pelo Brasil afora dando oficinas de maracatu. Para além do tocar, o maracatu traz essa conscientização da negritude, do meio ambiente", explica.

A proposta que cria o Dia Nacional do Maracatu já passou pelas comissões e irá direto para análise do Senado, a não ser que haja um recurso para votação, antes, pelo plenário da Câmara.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Paula Bittar
Edição – Ana Chalub

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