Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

07/06/2018 - 18h59

Empresa criada para gerir hospitais universitários é criticada em audiência pública

Professores, deputados e servidores temem a privatização desses hospitais por meio da empresa

Professores, deputados e sindicalistas representantes de servidores universitários criticaram a gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), criada em 2011 para gerir os hospitais universitários do Brasil. Eles temem a privatização do setor. O debate ocorreu nesta quinta-feira (7) durante audiência pública da Comissão de Participação Legislativa da Câmara dos Deputados. 

Cleia Viana/Câmara dos deputados
Audiência Pública sobre  A Crise dos Hospitais Universitários pós Lei 12.550/2011
Audiência pública da Comissão de Legislação Participativa da Câmara reuniu representantes das Universidades Federais

O coordenador-Geral da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Técnico-Administrativos das Instituições de Ensino Superior do Brasil (Fasubra), Antônio Alves Neto, reclamou que o Ministério da Educação excluiu a federação das negociações sobre os interesses dos trabalhadores nas universidades.



"Queremos ampliar o debate, queremos discutir qual é o papel do hospital universitário no País. Porque estamos assistindo cada vez mais ao desmonte do estado e não temos dúvidas, se não fizermos esse combate, o hospital universitário e a saúde pública deste País vão ser entregues aos tubarões da Saúde", alertou.

Já a representante da Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde, a professora Fátima Andreazzi, criticou a gestão da Ebserh e alertou para a possibilidade da privatização por meio da empresa.

"O contexto geral do País vai nesse sentido: de as atividades do Estado serem cada vez mais subordinadas ao interesse do grande capital financeiro, que hoje inclusive abocanha uma parte considerável da educação superior do País”, lamentou.

Ouça esta matéria na Rádio Câmara
Problemas na gestão
Moisés Rocha Bello, da Secretaria de Controle Externo do Tribunal de Contas da União (TCU), informou que em auditoria feita pelo TCU em 2015, foram identificados pontos positivos na Ebserh, como a compra centralizada de equipamentos hospitalares e materiais. Mas também problemas na gestão de pessoal dos hospitais universitários.

"A coexistência de servidores celetistas contratados pela empresa; servidores estatutários, que são vinculados às universidades, mas prestaram concurso para trabalhar no hospital; e servidores terceirizados irregulares; cria um clima muito preocupante, um potencial risco de conflito interno", explicou.

Mais prazo
Representante do Ministério da Educação no debate, o professor Mauro Rabelo afirmou que a criação da Ebserh melhorou a situação dos hospitais universitários. Ele disse que estava aberto a ouvir as contribuições e as críticas dos interessados no assunto.

"Para que a missão de uma empresa desse porte de fato se concretize, eu acho que isso não se faz no curto prazo. Há uma fase de amadurecimento e acho que é isso que nós estamos vivendo nesse momento", justificou.

Fiscalização
A deputada Érika Kokay (PT-DF) vai propor uma fiscalização das atividades da Ebserh. "Para que nós tenhamos noção exata de como está essa experiência, que é uma experiência que rompe com o controle social e a autonomia universitária, ao mesmo tempo que fragiliza os hospitais universitários e favorece o processo de privatização da saúde", destacou.

Autor do requerimento para a realização da audiência, o deputado Gláuber Braga (Psol-RJ) propõe o diálogo e a negociação para melhorar a situação dos hospitais universitários. Ele vai encaminhar as reivindicações e demandas dos servidores universitários, por meio de projeto feito pela Fasubra, na Comissão de Legislação Participativa.

Números
Atualmente, segundo o Ministério da Educação (MEC), o Brasil tem 68 universidades federais, 54 delas contam com cursos de Medicina. São 50 hospitais universitários no Brasil, concentrados em 35 universidades. 32 delas aderiram à Ebserh. As três universidades que não aderiram são as federais do Rio Grande do Sul, de São Paulo e do Rio de Janeiro. A Ebserh é mantida 100% com recursos públicos, provenientes do MEC e do Ministério da Saúde.

Reportagem - Newton Araújo
Edição - Geórgia Moraes

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'



Comentários

Erasmo Neto | 11/06/2018 - 10h02
É histórico os pseudos semi deuses imaginarem que títulos fornecem conhecimentos.Não só romanos destruíram o Templo de Jerusalém.O império romano foi destruído,surge o Império otomano e inaugura politica de contratar agentes secretos gregos para inciarem a construção das universidades;no lugar do Templo?Inaugurando a politica de cobrar para transmitir os conhecimentos da cultura grega?As humanidades são só duas,grega romana,as exatas só passaram a existir depois da França conseguir iniciar o sistema de unidades métricas internacionais,no lugar das unidades de medidas dos pés,dos cúbitos...
Erasmo Neto | 08/06/2018 - 16h08
Eles esquecem que o povo tem os conhecimentos de 1ª mão,os quais repassamos a eles;também esquecem que muitos do povo são parentes de funcionários públicos de pseudos lideres.Escola,universidade,faculdade só tem condições de ensinar técnicas para interpretar linguagens,escritas por eles mesmo;só os escolhidos podem apreender fazer em laboratório.Ex:o grupo necessita só de 6,mas pagar para os 6 é muito caro,temos que diluir o custo.Abrimos uma escola com salas com 40 alunos,se for publica o povo paga,se privada também paga.Mas, nem todos vão conseguir emprego na área da qual o grupo necessita.
Erminio Lima Neto | 08/06/2018 - 11h42
A escola pública está um caos! e a culpa náo é so do governo, como querem os militantes que participaram desta audiência publica. Os funcionários publicos também tem grande parcela de culpa, pois nada fazem para melhorar as condições, bem ao contrário, quando não participam de grupos ideológicos ou tiram proveito, se omitem sobre aqueles que os fazem. É simples assim. Dinheiro para educação não falta, o que falta é responsabilidade, coragem para denunciar e fiscalização de todos, no gasto deste dinheiro. Querem melhorar este Pais; e temos agora uma grande oportunidade, comecemos por nós!