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23/11/2017 - 20h26

Especialistas alertam para aumento da violência nas escolas públicas

Especialistas em educação fizeram um alerta nesta quinta-feira (23) sobre os diversos tipos de violência em sala de aula, que envolvem agressão contra professores, preconceito contra alunos, cobrança excessiva por alto desempenho escolar e ausência de diálogo entre escola e comunidade. O assunto foi discutido em audiência pública da Comissão de Educação da Câmara.

Em 57,5% das escolas públicas brasileiras, ao menos 2 professores relataram ter sofrido algum tipo de violência, na maioria, agressão verbal. Os dados são da pesquisa Prova Brasil que entrevistou diretores, alunos e professores do 5º e 9º anos do ensino fundamental em 2015. 

Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Audiência pública sobe a violência nas escolas
Audiência pública da Comissão de Educação reuniu especialistas para debater violência nas escolas públicas e possíveis soluções a serem adotadas

"Chama muita atenção que esse percentual em 2013 era de 52%”, observou Caio Callegari, representante do movimento Todos pela Educação. Segundo ele, em um estudo realizado pela instituição em 2016, com 1500 jovens de 15 a 19 anos, a segurança no ambiente escolar foi apontada como o maior atrativo da escola, atrás da acessibilidade e da infraestrutura, sobretudo pelos alunos do Centro-oeste, Sul e Nordeste.

O mesmo estudo mostrou que a falta de segurança preocupa a maioria dos estudantes no Sul, Sudeste e Norte. "Uma parte do quebra-cabeça é a falta de integração entre as famílias e a comunidade com a escola. Têm de trazê-las para o debate, porque (a violência) é um problema que existe fora da escola. Não dá para fazer um trabalho em que a escola olhe só para o próprio umbigo", afirmou.

Callegari citou uma política pública bem-sucedida de integração da comunidade com a escola aplicada em Taboão da Serra (SP). "Ao levar os professores para a casa dos estudantes, para que eles conversassem com as famílias, e ao trazer as famílias para dentro da escola, para participar efetivamente das decisões escolares, o resultado foi a resolução de muitos conflitos domésticos e também de conflitos dentro da escola”, relatou.

A necessidade de reunir educadores e familiares em torno de assuntos polêmicos, como orientação sexual, foi destacada pela deputada Pollyana Gama (PPS/SP), que solicitou a audiência. Ela falou sobre sua experiência como professora. “Era importante ouvir essas famílias antes mesmo de apresentar o conteúdo na sala de aula. É algo que sempre orientei, ainda mais num momento em que a gente tem ainda muitos tabus a serem vencidos”, opinou.

Alto rendimento e discriminação
Já a representante do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Ângela Soligo, destacou o incentivo ao uso indiscriminado de remédios para aumento da performance escolar, como exemplo de violência contra crianças e adolescentes.

“No Brasil, o uso de Ritalina (psicoativo de tarja preta), só é menor do que nos Estados Unidos e o crescimento é exponencial: em dez anos nós tivemos um crescimento do consumo de mais de 700%. E muito desse consumo é aplicado no ambiente escolar”, alertou.

Segundo a pesquisa “Violência e Preconceitos na Escola” realizada pelo CFP entre 2013 e 2015, os alvos da violência são aqueles que sofrem preconceito dos colegas, professores e administração escolar.

“Verificamos, em especial, a presença de preconceitos racial, de gênero, de orientação sexual e, no Norte, contra os indígenas”, disse Ângela Soligo. “Uma outra coisa é a presença de todas as formas de violência: física, verbal, isolamento e descriminação”, continuou.

Ainda segundo a psicóloga, os alunos denunciam a ausência de diálogo com a direção das escolas e os coordenadores pedagógicos, o que, em sua visão, resulta em uma política de “silenciamento”. "Eles querem ser ouvidos (os estudantes) e denunciam a omissão da escola", assinalou a especialista.

Reportagem - Emanuelle Brasil
Edição - Geórgia Moraes

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