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27/06/2017 - 19h24

Cientista político diz que projeto da Escola sem Partido pode inibir doutrinação ideológica

Relator criticou a ausência de expositores e deputados que são contrários à proposta

Victor Diniz/Câmara dos Deputados
Audiência Pública e Reunião Ordinária
Comissão especial da Câmara discute projeto que obriga as escolas a respeitar as convicções do aluno, de seus pais ou responsáveis

O professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Goiás e doutor em Ciência Política Jean Marie Lambert afirmou, em audiência na Câmara dos Deputados, que a doutrinação ideológica ocorre não só em instituições de ensino fundamental e médio, mas também está presente no ensino superior.

O projeto de lei da Escola sem Partido (PL 7180/14, do deputado Erivelton Santana (PEN-BA) foi tema de audiência na comissão especial que analisa a proposta, nesta terça-feira (27).

Jean Marie acredita que “o problema inibe estudantes de apresentarem as diversas vertentes de um mesmo assunto” e que a aprovação do projeto Escola sem Partido é importante, “visto que pode sanar este problema”.

Processar professores
Para o cientista político, o projeto garante que a família pode processar professores que tentam doutrinar os alunos. “Com a aprovação do projeto, pais ou responsáveis por crianças e adolescentes podem entrar com medidas judiciais, caso não concordem com os conceitos ideológicos que estudantes são obrigados a ouvir em sala de aula”, afirma.

Victor Diniz/Câmara dos Deputados
Audiência Pública e Reunião Ordinária. Dep. Flavinho (PSB - SP)
Relator da proposta, o deputado Flavinho disse que a questão é "alarmante, uma vez que, em sala de aula, quem apresenta o contraditório é considerado homofóbico ou sexista"

Lambert disse, ainda, que o projeto Escola sem Partido é um passo importante para que a educação brasileira seja equiparada à dos países de primeiro mundo. “O Escola sem Partido incentiva a parceria entre família e escola. Isso é fundamental”, avalia.

“Questão alarmante”
Já o deputado Flavinho (PSB-SP), relator da proposta na comissão especial, criticou a doutrinação em instituições de ensino.

Para ele, a questão é “alarmante, uma vez que, em sala de aula, quem apresenta o contraditório é considerado homofóbico ou sexista”, por exemplo.

“A doutrinação existe e é uma forma de desconstruir os valores morais, isso ocorre por meio da esquerda marxista. O projeto apresenta como deve ser a atuação dos professores em sala de aula e isso pode inibir a doutrinação”, ressalta.

Deveres dos professores
O Escola sem Partido é uma proposta de lei que obriga as escolas a respeitar as convicções do aluno, de seus pais ou responsáveis. Pela proposta, os valores de ordem familiar têm precedência sobre a educação escolar nos aspectos relacionados à educação moral, sexual e religiosa.

Ainda conforme o texto, fica vedada a transversalidade ou “técnicas subliminares” no ensino desses temas. O projeto altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB – 9.394/96) para incluir essas diretrizes entre os princípios do ensino no País.

Ausência de crítica
O deputado Flavinho criticou, ainda, a ausência de expositores e deputados que são contrários ao projeto. O parlamentar afirmou que “eles são convidados para exporem suas opiniões em audiências públicas, mas recusam o convite alegando choque de agenda”.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Igor Caíque
Edição – Newton Araújo

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Comentários

Ana | 16/04/2018 - 16h04
Triste é ver estes sem noção partirem do pressuposto de que crianças e adolescentes são imbecis, que não têm opiniões próprias, ou formação nas suas famílias, assim como jovens e adultos em universidades (subestima-los como se fossem desprovidos de neurônios, sem poder pensar por si). Têm medo do questionamento? da ciência? porque vivem, eles sim, de tentar doutrinar pessoas pra tirar dinheiro delas nas igrejas e acham que todos são como eles? é a lei do espelho: de algum modo o que nos desgosta em determinada pessoa ou grupo existe de fato é em nosso interior.
Erasmo Neto | 29/06/2017 - 09h40
Marcelo Jesuita | 28/06/2017 - 16h15. Estude o judaísmo sefardim e asquenazes para compreender as diferenças do que você chama de doutrinação ideológica,mas eu entendo como um boi seguindo a boiada orientado pelo sopro do berranteiro. Boi é castrado,já o Touro gera e inspirou os antigos para construir o simbolo abstrato da letra A dos alfabetos.
Erasmo Neto | 29/06/2017 - 09h21
Marcelo Jesuita | 28/06/2017 - 16h15. Com base na palavra jesuíta. Na formação do Brasil,Os Reis de Portugal contrataram a Companhia de jesus para doutrinar os nativos.Se as informações estiverem corretas. Inácio de Loyola era de descendência Hebraica, assim como karl Marx.Sugestão de leitura:Livros; A inquisição, autora Anita Novinsky( na capa a figura do cavalo de troia);Vida obra de Carlos Torres Gonçalves.autor Ernesto Cassol. Talvez consiga entender porque os Jesuítas foram expulsos do Brasil,após o regime republicano.Nas escolas existe politicagem financiada,diferente de doutrinação.