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08/02/2017 - 17h43

Projeto sobre escola sem partido divide opiniões de debatedores

Participantes favoráveis ao texto apontam “doutrinação” por parte dos professores; quem é contrário diz que problemas sociais precisam de discussão em sala de aula

Leonardo Prado/Câmara dos Deputados
Audiência Pública
Debate foi promovido por comissão especial que analisa o projeto

Debatedores divergiram, em audiência na Câmara na terça-feira (7), sobre o Projeto de Lei 7180/14, o chamado projeto “da escola sem partido”.

A proposta obriga as escolas a respeitar as convicções do aluno, de seus pais ou responsáveis. Segundo o texto, os valores de ordem familiar têm precedência sobre a educação escolar nos aspectos relacionados à educação moral, sexual e religiosa.

Na audiência promovida pela comissão especial que analisa o projeto, a diretora da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), Thays Oliveira, criticou o texto.

“Como que a gente está em uma escola e não discute temas da sociedade, como machismo, racismo e homofobia? Como estudar a história do Brasil sem falar dos afrodescentes e de religiões como a umbanda?”, questionou.

O deputado Bacelar (PTN-BA) argumentou que o projeto desrespeita a Constituição. “ É autoritário. A escola não pode ser neutra, porque a vida humana não é neutra. O professor não pode ser um doutrinador, mas ele tem que expor os seus conceitos e as suas opiniões aos alunos.”

Doutrinação
Já o professor Luiz Lopes Diniz Filho, da Universidade Federal do Paraná, defendeu a proposta. “O professor não pode tirar o proveito do fato de que o aluno é obrigado a assistir aula para ficar incutindo ideias políticas em sua cabeça, para induzi-lo ao voto de determinadas formas ou abraçar determinada ideologia.”

O deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) também criticou a doutrinação em sala de aula. “O professor, quando é qualificado para ser um alfabetizador, e vai para a escola transmitir o conteúdo, aprende na universidade quem é Marx, quem é Engels, quem é Paulo Freire. Mas ele não aprende metodologia de ensino, e o resultado está aí: o excesso de doutrinação nas escolas está criando no Brasil uma geração de analfabetos.”

Educação básica
Relator da proposta, o deputado Flavinho (PSB-SP) citou a importância do debate. “ Minha intenção é fazer um relatório que realmente atenda, principalmente, àqueles que são o alvo da educação: as nossas crianças, adolescentes e jovens.

O autor do projeto, deputado Erivelton Santana (PEN-BA), argumenta que " a escola, o currículo escolar e o trabalho pedagógico realizado pelos professores em sala de aula não devem entrar no campo das convicções pessoais e valores familiares dos alunos da educação básica."

Tramitação
A proposta tramita em caráter conclusivo e ainda será votada na comissão especial. Se for aprovada, poderá seguir para o Senado sem necessidade de ser analisada pelo Plenário da Câmara. 

Íntegra da proposta:

Reportagem - Alex Akira Peixoto
Edição - Rosalva Nunes

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'



Comentários

Erasmo Neto | 10/02/2017 - 11h07
"Conhece ti mesmo" escola?Pode ter que outros te conhecem e podem constatar.Ex: pilhas de livros do projeto EJA abandonados,professores querendo nos ensinar a cuidar do meio ambiente no mesmo espaço;Quantas arvores e produtos químicos são usados para fabricar um livro?Professores sem conhecer uma industria de papel ou visitar,industrias de produtos químicos;convencem ou educam quem?No Brasil a incompetência começa quando a teoria é isolada da pratica real e só observada em laboratórios herméticos.De teoria o inferno esta cheio.
Erasmo Neto | 09/02/2017 - 16h41
Abandonei escola e igreja quando jovem,retornei no projeto EJA que abandonei e exigi documento assinado quando percebei que só abandonando continuava matriculado e o projeto poderia receber verbas sem estar prestando o serviço.O pior sentimento era quando sindicalistas invadiam aulas para orientar professores,a falta de respeito com o espaço definido,propagandas de partido politico no endereço da escola.Se no EJA observei a falta de respeito,só consigo imaginar o que acontece no espaço dedicado para crianças.
Erasmo Neto | 09/02/2017 - 09h05
Provem que é possível conhecer Marx e outros que morreram ou desencarnaram?Ou apenas podemos conhecer parcialmente as ideias através da literatura?Provem que encontraram Jesus vivo,convivendo entre nós.Quem são os concorrentes das escolas publicas ou Estatais?Só a antropologia cultural vai demostrar as metamorfoses,dos Zigurates para Templos, dos Templos para igrejas, Santuário de Zeus para a academias das madraças para universidades.Não esqueçam do Império turco otomano comandando o processo civilizatório ocidental, para transmitir transcendendo tiveram que reconhecer e usar a cultura grega.