Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

22/09/2016 - 19h45

Relator na Câmara da reforma do ensino médio concorda com tramitação via MP

Alex Ferreira / Câmara dos Deputados
Audiência Pública e Reunião Ordinária. Dep. Wilson Filho (PMDB-PB)
Wilson Filho: projeto e MP surgiram de longos debates com os principais atores da educação: professores, estudantes, pais de alunos e secretários estaduais de Educação

O relator da proposta de reforma do ensino médio na Câmara, deputado Wilson Filho (PTB-PB), concordou com a tramitação do tema por meio de medida provisória.

Apesar de ainda não ter feito uma comparação detalhada entre o projeto de lei (PL 6840/13) que ele relata com a medida provisória anunciada pelo governo nesta quinta-feira (22), Wilson Filho já identificou convergências nos dois textos, principalmente em relação à redução de disciplinas e à possibilidade de o estudante escolher o foco de estudo no ensino médio.

O deputado também ressaltou que ambos os textos surgiram de longos debates com os principais atores da educação: professores, estudantes, pais de alunos e secretários estaduais de Educação.

Agilidade
Wilson Filho concordou com os argumentos de "pressa e urgência" que o governo utilizou para enviar o tema ao Congresso Nacional em forma de medida provisória.

"Na verdade, a agilidade será dada, até porque é um debate que vem de muito tempo e tem sugestões de todos os lados. O nosso substitutivo que foi apresentado na Câmara é a união de muitas ideias e sugestões de quem realmente quer ver a educação brasileira avançando”, avaliou.

Para ele, se a Câmara já tinha um debate permanente sobre o tema, com a medida provisória haverá a agilidade necessária. "Porque o que nós temos, acima de tudo, é a certeza unânime de que o ensino médio caminha no lado errado. Nós temos que usar tudo aquilo que for o mais consensual possível para projetar um ensino médio diferente e dê a oportunidade de a juventude seguir aquilo que quer."

Novos debates
Em busca desse consenso possível, o deputado sugeriu novas rodadas de debates, a partir de outubro, na comissão mista que vai analisar a medida provisória.

Wilson Filho manifestou uma preocupação especial em relação à transição do atual para o futuro modelo de ensino médio. "Tudo tem que ser construído com bases sólidas, para que não seja revisto no futuro."

Vestibular ou Enem
O deputado avaliou que, do jeito que está hoje, o ensino médio reflete apenas uma fixação do aluno por uma prova do vestibular ou do Enem: "Os jovens decoram para passar em uma prova e não aprendem para o mercado de trabalho ou para o ensino superior".

Wilson Filho classificou de "verdadeiros heróis" os professores universitários que recebem alunos despreparados no ensino superior. "A falta de investimento na educação é o maior gargalo do crescimento do Brasil e o maior gargalo da educação é o ensino médio, que não conseguiu avançar nas metas e têm elevada evasão", acrescentou.

Íntegra da proposta:

Reportagem - José Carlos Oliveira
Edição - Newton Araújo

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'



Comentários

Gilmário Alves | 27/09/2016 - 10h25
A ausência das Ciências Humanas e um absurdo! Como será a formação ética e cidadã dos jovens? A ausência das disciplinas de Filosofia e sociologia significa um retorno aos dogmatismos, aos ceticismos aos modismos, à falta de reflexão. E para que aprender obrigatoriamente somente matemática? Será uma matemática burra! Essa reforma é muito ruim.
Robson | 27/09/2016 - 10h20
Tem que ser por MP mesmo, a educação não pode esperar, vide que aguarda votação, desde 2013, no Plenário da Câmara dos Deputados proposta que estabelece jornada integral para o ensino médio e currículos organizados por área de conhecimento, além de tornar obrigatório o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para todos os alunos (PL 6840/13). Parabéns pela iniciativa!
JOSE ALVES DE A FILHO | 23/09/2016 - 17h19
Pressa e urgência são necessárias ao processo legislativo para que se produzam leis adequadas ao momento atual e futuro.Não significa dizer que uma reforma dessa grandeza deva ser feita por Medida Provisória. Para mim, significa,sim, que nossos parlamentares vivem a reboque do Executivo. Se existe um Projeto de Lei em tramitação, por que os senhores líderes não exigem de seus liderados a apresentação de sugestões e que o Sr. Presidente da Câmara coloque o tema em pauta? Pobre Congresso,Congresso pobre! Agora vamos fazer, a toque de caixa, uma reforma do ensino médio. Tema simplório, nâo?