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10/04/2018 - 20h27

Ausência da base aliada e obstrução da oposição adiam votações em comissão especial sobre Eletrobras

A ausência de parlamentares da base aliada ao governo Michel Temer e a obstrução de partidos oposicionistas impediram que a comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa o projeto (PL 9463/18) de privatização da Eletrobras votasse, nesta terça-feira (10), os 106 requerimentos apresentados pelos integrantes do colegiado, a maioria para a realização de audiências públicas.

A comissão foi instalada há quase um mês (13 de março) e ainda não conseguiu fazer nenhuma reunião deliberativa. Essa situação levou o relator do projeto, deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), a fazer um pronunciamento a favor da discussão da proposta do governo. O texto autoriza a privatização da estatal a partir da venda de novas ações, que vão diminuir a participação da União para menos da metade.

Alex Ferreira/Câmara dos Deputados
Reunião Ordinária. Dep. José Carlos Aleluia (DEM - BA)
José Carlos Aleluia, relator da matéria, cobrou mais participação de integreantes da base nos debates: "Estamos matando a comissão"

“Vamos dar uma chance ao debate. Nós estamos matando a comissão”, disse Aleluia, que ainda fez uma crítica ao governo. “A culpa não é da oposição, que está fazendo o papel dela. A responsabilidade principal é da base aliada, que está acomodada e não vem aqui.”

O relator defendeu ainda que, se os trabalhos não avançarem, o Planalto deve trabalhar para levar a votação diretamente ao Plenário da Câmara. Para isso ser feito, será preciso aprovar um requerimento de urgência, assinado por líderes que representem pelo menos 257 deputados.

Aleluia reforçou que é favorável à medida, que também teria o apoio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. “Se o governo não conseguir ajustar o seu time na comissão, talvez a saída seja levar o assunto para o Plenário. Lá vai ter obstrução, mas vai ser um round só”, declarou.

A oposição, porém, adiantou que combaterá qualquer iniciativa de levar a proposta para o Plenário da Casa. “É inaceitável. Tem de correr o trâmite aqui na comissão; ela foi criada para debater o projeto”, apontou Wadih Damous (PT-RJ).

Michel Jesus/Câmara dos Deputados
Lançamento da frente. Dep. Wadih Damous (PT - RJ)
Segundo Wadih Damous, a oposição combaterá qualquer iniciativa de levar a proposta direto para o Plenário: "Comissão foi criada para debater o projeto"

Regimento
Na reunião desta terça, a oposição conseguiu impedir as deliberações usando instrumentos regimentais, que estenderam a reunião até o início da Ordem do Dia do Plenário, quando as comissões ficam impedidas de votar. A estratégia oposicionista foi criticada pelo deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), vice-líder do governo, que falou em “oportunismo regimental”. Para a oposição, entretanto, a conta do encerramento da reunião deve ser debitada na base aliada. “Se o governo quer que a comissão ande, tem de botar a maioria”, apontou a deputada Erika Kokay (PT-DF).

A comissão especial, que é presidida pelo deputado Hugo Motta (PRB-PB), fará uma nova reunião nesta quarta, às 14h30, quando haverá mais uma tentativa de votar os requerimentos e discutir o plano de trabalho proposto por Aleluia. A rigor, o plano não precisa ser votado, mas há uma pressão da oposição para que ele seja submetido à deliberação.

Mudanças
Durante a reunião, o relator reforçou algumas mudanças que pretende fazer no texto do governo, já antecipadas por ele no mês passado. As alterações se inserem em um esforço para obter apoio de deputados do Nordeste, incluindo os da base aliada, muitos dos quais contrários à privatização da Eletrobras.

Aleluia informou que pode reforçar o papel da golden share – ação especial que ficará nas mãos do governo e que lhe conferirá poderes especiais dentro da empresa após a privatização –, e ampliar a destinação de recursos para a revitalização e a transposição do rio São Francisco, que pode chegar a R$ 700 milhões por ano. É o dobro do que prevê a proposta governista.

Além da comissão especial do PL 9463/18, uma comissão mista – formada por deputados e senadores – analisa medida provisória que autoriza a privatização da Eletrobras (MP 814/17).

Íntegra da proposta:

Reportagem – Janary Júnior
Edição – Marcelo Oliveira

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Comentários

André Sarmanho | 11/04/2018 - 14h14
Nosso País não pode jamais ceder o controle,o domínio das fontes de energia a particulares e estrangeiros.Além de ser uma ameaça a nossa soberania,também representa uma medida de extrema idiotice.Chega de entreguismos.Querem um exemplo:venderam toda a infraestrutura de telecomunicações da EMBRATEL a particulares,a estrangeiros,pois bem,quando cai um "link" ou problemas nas fiações/fibras óticas da empresa particular estrangeira que domina o mercado e as demais empresas do setor,o sistema cai completamente e o País para.Há algumas semanas um chinês causou um apagão no País.E aí,somos patetas???