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14/12/2017 - 17h04

Em discurso no Plenário, relator adianta pontos da reforma da Previdência

Arthur Oliveira Maia diz que excluirá da proposta, que deve ir à votação em fevereiro, os itens relativos a trabalhadores rurais e estenderá aos servidores estaduais e municipais as regras já vigentes para os servidores federais desde 2013

Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Ordem do dia para discussão e votação de diversos projetos. Dep. Arthur Oliveira Maia (PPS-BA)
Arthur Oliveira Maia discursa na tribuna do Plenário

O relator da reforma da Previdência (PEC 287/16), deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA) usou a tribuna do Plenário da Câmara para adiantar pontos do relatório que irá à discussão em fevereiro próximo. Ele disse que vai excluir da proposta itens relativos aos trabalhadores rurais e estender aos servidores estaduais e municipais as regras vigentes desde 2013 para os servidores federais.

Não houve a leitura oficial do texto, mas sim uma defesa da proposta que irá ser incluída em pauta apenas em 2018. A apresentação formal da nova redação depende da inclusão do tema em pauta e da sua discussão. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, anunciou hoje que o debate começará no dia 5 de fevereiro, e a votação está prevista para o dia 19.

Arthur Oliveira Maia disse que o governo optou por não levar a proposta ainda neste ano para não correr riscos. “Essa PEC não pode ir à votação com qualquer margem de dúvida quanto a sua aprovação”, afirmou.

Mudanças
O relator destacou avanços no texto feitos pelo Congresso, como o tratamento diferenciado para professores, policiais e mulheres. “Chegou um texto duro do governo, que cortou privilégios, mas atingiu em parte as pessoas menos favorecidas.” Ele ressaltou ainda que será mantido o tempo mínimo de contribuição de 15 anos.

Arthur Oliveira Maia disse que a nova redação trará sugestões feitas pelos líderes partidários. “Resolvemos convergir para um texto ainda não apresentado de maneira oficial, que exclui qualquer menção acerca do trabalhador rural”, disse. O trabalhador rural, pelo texto original da PEC, deveria comprovar a contribuição previdência ao pedir a aposentadoria.

As modificações ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) – pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda – também não será modificado. O texto original previa que o valor desse benefício poderia ser menor do que o salário mínimo (R$ 937,00).

O relator disse ainda que a PEC vai estender para servidores estaduais e municipais as regras já previstas para o servidor federal. Atualmente, aqueles que ingressaram no serviço público a partir de 2013 se aposentam com o teto do Regime Geral de Previdência Social (R$ 5.531,31) e podem complementar o benefício por meio de um fundo de previdência complementar.

“O que fica na PEC é o fim dos privilégios. Por meio dela, estamos dizendo que, se não vale para o governo federal, não há de valer para estados e municípios, porque temos que fazer com que a Previdência tenha uma regra igual para todos”, disse.

Arthur Oliveira Maia avaliou que o mês de janeiro será utilizado para construir um acordo em torno da reforma da Previdência. “Teremos um mês para fazer um profundo debate com a sociedade, para que as pessoas tenham conhecimento de fato está sendo proposto”, disse.

As mudanças, segundo ele, vão impedir que o Orçamento seja comprometido além de sua capacidade. “Não é razoável que um País como o nosso gaste do seu Orçamento primário 55% de tudo que arrecada com aposentadorias”, opinou.

Críticas
A oposição avaliou o pronunciamento como uma resposta ao mercado financeiro, a fim de justificar a derrota no avanço da proposta. “Estamos em uma sessão anêmica para mostrar aos mercados, aos ricos, que o governo vai votar a reforma da Previdência”, disse o deputado Zé Geraldo (PT-PA).

A deputada Jô Moraes (PCdoB-MG) chamou o pronunciamento de “espetáculo de subserviência” ao mercado, em uma tentativa de dialogar com as Bolsas de Valores. “Os mercados vão cair porque o governo não consegue aprovar a reforma da Previdência, porque o governo só dialoga com as grandes empresas”, criticou.

Saiba mais sobre a tramitação de PECs

Íntegra da proposta:

Reportagem - Carol Siqueira
Edição - Ralph Machado

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Comentários

Inácio Henrique | 20/12/2017 - 21h52
Olá, Onde encontro o texto último do relatório ou de emendas aglutinativas para análise?
Olá Inácio, mande sua mensagem para o nosso Fale Conosco: faleconosco.camara.leg.br
Resposta enviada pela Câmara dos Deputados
Celso Barros | 18/12/2017 - 12h00
"O sistema previdenciário tem que ser igual para todos" Interessante, não vi os militares, os policiais e os políticos na proposta de reforma do Artur Maia. O Temer apresenta que por estar com a popularidade muito baixa esse é o momento favorável para votar a reforma da previdência. E como: estou no fundo do poço e vocês que votam deputados e senadores venham para o fundo também. O fundo foi definido por órgão de pesquisa de opinião pública. Pulem e aguardem 2018.
Luís Piccinin | 16/12/2017 - 22h09
Nós vamos denunciar a má fé dos legisladores em relação a pensão por morte e aposentadoria. Todos(as) os(as) deputados(as) jovens e não jovens INSISTAM NO TETO PREVIDENCIÁRIO na soma, ou traiam a população e terão o troco nas eleições e nas ruas. O certo será permanecer como é hoje. Não esqueçam que as despesas mais significativas continuam a existir nos mesmos valores, como por exemplo, aluguel, condomínio, prestação de imóvel fora do Sistema de Habitação oficial. As contas de luz, água, telefone diminuem muito pouco. Os dois contribuíram e o retorno deve ser equivalente ao investimento.