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22/08/2017 - 22h17

Relator da reforma tributária apresenta os principais pontos da proposta

Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
Reunião ordinária para apresentação de relatório prévio do dep. Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR)
Hauly, durante audiência na comissão especial realizada em fevereiro

O deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) apresentou nesta terça-feira (22) uma minuta de sua proposta para reforma tributária, que está sendo discutida em comissão especial da Câmara dos Deputados.

A intenção é aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) nos próximos meses, a fim de reestruturar o sistema tributário brasileiro.

Relator da proposta, Hauly vem discutindo o tema desde fevereiro. Ele disse que a ideia é simplificar o atual sistema, permitindo a unificação de tributos sobre o consumo e, ao mesmo tempo, reduzindo o impacto sobre os mais pobres.

Outro objetivo é aumentar gradativamente os impostos sobre a renda e sobre o patrimônio e melhorar a eficácia da arrecadação, com menos burocracia.

Hauly disse ainda que as mudanças visam a uma “reengenharia” do sistema tributário, com impacto até maior do que o ocorrido com o Plano Real (1994). “Isso vai representar mais da metade da solução da economia brasileira. Se o Brasil não crescer, não haverá receita”, afirmou.

Neste primeiro momento, a minuta contempla apenas alterações constitucionais. Uma vez aprovada a proposta de alteração da Constituição, ele calcula que seriam necessários de 10 a 11 projetos pata regulamentar o novo sistema tributário.

Extinção de tributos
A minuta delineia as mudanças, que incluem a extinção de 10 tributos (IPI, IOF, CSLL, PIS/Pasep, Cofins, Salário-Educação, Cide-Combustíveis, todos federais, ICMS estadual e o Imposto sobre Serviços (ISS municipal). No lugar deles seria criado um imposto sobre o valor agregado de competência estadual, chamado de Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS), e um imposto sobre bens e serviços específicos (Imposto Seletivo), de competência federal.

O IBS seria criado nos moldes do que existe em países industrializados, e sem tributar medicamentos e alimentos. Como será de competência estadual, mas com uma única legislação federal, o deputado propõe que a arrecadação seja administrada por uma associação de fiscos estaduais.

Hauly afirmou que o IBS, que será cobrado no destino da mercadoria ou serviço, redireciona a economia para “trilhos já testados”. “Não criei nada, não inventei nada”, afirmou.

Seletivo
O Imposto Seletivo incidirá sobre produtos específicos, como petróleo e derivados; combustíveis e lubrificantes; cigarros; energia elétrica e serviços de telecomunicações.

Segundo Hauly, uma lei complementar definirá quais os produtos e serviços estarão incluídos no Imposto Seletivo. Sobre os demais produtos, incidirá o IBS estadual.

O Imposto de Renda (IR) é mantido na minuta na esfera federal, bem como o ITR, que onera a propriedade rural. Hauly afirmou que o IR vai incorporar a CSLL, e por isso terá suas alíquotas ampliadas.

Além da fusão ou extinção de tributos, a minuta altera as competências tributárias da União, estados, Distrito Federal e municípios.

Para evitar perdas de arrecadação para alguns entes federados, Hauly propõe a criação de dois fundos, que vão compensar eventuais disparidades da receita per capita entre estados e entre municípios.

Durante a reunião, o presidente da comissão especial, deputado Hildo Rocha (PMDB-MA), anunciou que o colegiado está aberto à discussão. Um e-mail (ce.reformatributaria@camara.leg.br) foi disponibilizado para receber sugestões da sociedade nos próximos 15 dias.

Saiba mais sobre a tramitação de PECs

Confira como foi a audiência pública no canal oficial da Câmara dos Deputados no Youtube

Íntegra da proposta:

Reportagem - Janary Júnior
Edição – Regina Céli Assumpção

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Comentários

Reinaldo | 20/04/2018 - 13h19
O que mais me preocupa nessa proposta é a distancia de quem vai receber em relação a onde a população está, estão tirando um imposto dos municípios e levando para a União. Aí pergunto, é mais fácil cobrar do Presidente e Deputados Federais ou dos Prefeitos e Vereadores? Pessoalmente acho que deveriam dar mais autonomia as municípios e não tirar. Outro ponto que me preocupa é o Imposto de Renda que tributa salários (chegando a tributar quem ganha 2 salarios mínimos ou mais) terá o acréscimo da CSLL, com isso os assalariados terão aumento de impostos sobre o bruto e não sobre o líquido.
João Batista de Oliveira | 17/01/2018 - 18h35
O grande problema não é o pagamento de impostos, mas a burocracia que se criou em tornou de sua cobrança pelos Municípios, pelo Estado e pela Receita Federal. Cria-se obrigação acessória para tudo, sujeita a multas altíssimas. Quer se arrecadar mais com as multas pelo não cumprimento de obrigações acessórias do que com o próprio tributo. Um verdadeiro absurdo. E haja tempo do coitado do contribuinte para cuidar de tanta obrigação, tirando-lhe tempo de dedicação ao seu negócio.
Luís Eduardo Fontenelle Barros | 24/11/2017 - 09h26
Conforme dito em palestra m Fortaleza - CE que haverá ganho para estados consumidores, sugiro que esse excedente seja utilizado para compensar as empresas com incentivos fiscais contratados, Outra sugestão seria calibrar as novas alíquotas levado em conta que a cobrança direto na conta permitiria diminuir a alíquota.