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14/05/2018 - 20h09

Direito à manifestação deve ser garantido, dizem debatedores

Em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos, ação policial contra estudantes da UnB é criticada. Uma reunião dos deputados com as forças de segurança foi agendada para o dia 29 para tentar acordo de procedimentos

O direito a manifestações e protestos pacíficos nas ruas foi defendido com veemência durante reunião pública da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados nesta segunda-feira (14). Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) que foram agredidos e reprimidos com violência pela Polícia Militar durante manifestações em abril, em frente ao Ministério da Educação (MEC), participaram da reunião. A manifestação seria em favor de mais recursos para a UnB, mas a repressão impediu o ato. 

Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Reunião para debate sobre o uso de violência policial contra estudantes, servidores e professores da UnB em manifestações contra os cortes orçamentários na educação
Estudantes reclamam da violência da polícia na repressão às manifestações

Vídeos desses confrontos foram expostos durante a reunião. Victor Brito Bezerra, estudante de Letras da UnB, oriundo das periferias de Brasília, foi um dos presos na manifestação de 26 abril.

"Os estudantes da UnB são considerados privilegiados pelo MEC... privilégio, privilégio... Papel barato, que por ter saído da favela e ter descoberto que pode ser livro, que pode ser conhecimento, passa a ser amassado pela ponta da caneta do Estado. E é aí que nasce o signo da linguagem da violência. Nasce na pele, no machucado, no corte, na bala de borracha, no gás lacrimogêneo, no correr para não ser pisoteado pela cavalaria. Nasce na bomba de efeito moral...", relatou.

Sandra Nascimento, do Coletivo de Advogados Populares Independentes, disse que teve suas prerrogativas profissionais desrespeitadas, quando acompanhou os estudantes presos à delegacia. Ela defendeu a desmilitarização das polícias. "É uma reivindicação segura e correta, dentro de uma sociedade democrática, que não pode admitir que, em nome da segurança pública, que em nome da defesa de direitos, se faça violações a direitos, por conta de uma estrutura hierarquizada e autoritária como é a corporação militar e a corporação policial em geral."

"O principal recado nessa audiência é que a liberdade de manifestação, prevista na Constituição brasileira, seja garantida pelas autoridades brasileiras", completou o representante do Conselho Nacional de Direitos Humanos, Leonardo Pinho.

Controle Externo
Procuradora Federal dos Direitos de Cidadão, Débora Duprat, lembrou aos deputados que o Ministério Público exerce controle externo das atividades policiais. "O que a gente vem verificando é que pouco se faz nessa área que a gente chama de policiamento ostensivo, da polícia nas ruas. Aparentemente, nessas horas, ninguém filma, ninguém registra e ninguém toma providências adequadas para fazer cessar esse estado de coisas", lamentou.

Os promotores de Justiça do Distrito Federal responsáveis por esse controle foram convidados, mas não compareceram.

Procedimentos

Os integrantes da Comissão de Direitos Humanos vão reunir as forças de segurança para negociar procedimentos para as manifestações, conforme informou a deputada Érika Kokay (PT-DF): "Convidamos a Secretaria de Segurança, a Polícia Militar, a Polícia Civil, aqui do Distrito Federal, a Ordem dos Advogados do Brasil, uma série de entidades para nós tentarmos um acordo de procedimentos para as próximas manifestações, porque não podemos admitir esse nível de violência que a polícia impetrou contra os manifestantes", afirmou.

A reunião dos integrantes da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados com as forças de segurança ocorrerá no próximo dia 29.

Reportagem - Newton Araújo
Edição - Geórgia Moraes

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Comentários

cleiton | 16/05/2018 - 10h13
Eu estive nas duas manifestações de abril e vi tudo. A primeira consideração é que ela não foi pacífica todo o tempo. Antes da polícia agir, os alunos já tinham pichado o prédio, destruído algumas vidraças e bloqueado o eixo monumental ateando fogo em material encontrado no lixo. Até aí a polícia ficou inerte, mas quando começou um apedrejamento generalizado no prédio do MEC, a polícia agiu com gás e bombas de efeito moral para cessar a depredação e desfazer a turba. Manifestações pacíficas ocorrem sempre em Brasília e a dos estudantes da UNB no MEC não foi de acordo com a reportagem acima.