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29/11/2017 - 18h23

Seminário alerta para elevado número de casos de violência contra crianças e adolescentes no Brasil

O debate foi uma iniciativa da Frente Parlamentar Mista de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. Uma pesquisa de 2013 mostra que a grande maioria das pessoas desconhecem esses direitos

Vinte e nove crianças e adolescentes são vítimas de homicídio todos os dias no Brasil e a cada dois dias, um bebê é vítima de violência sexual. Os números foram apresentados nesta quarta (29) em seminário na Câmara da Frente Parlamentar Mista de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente.

O recorte racial está presente em todas as violências contra crianças e adolescentes, segundo Gisele dos Anjos Santos, do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades: 70% das crianças vítimas de exploração sexual são negras.

Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Seminário Violência contra Crianças, Adolescentes e Jovens - Desafios e Soluções
Maria do Rosário (D), coordenadora da frente: conhecer direitos de crianças e adolescentes é primeiro passo para mudar cultura de violência

 “Pode parecer óbvio que vidas negras importam, mas, se a gente tem esses números alarmantes, que apontam que um jovem negro morre a cada 23 minutos no Brasil, 63 jovens negros morrem por dia no Brasil e 23 mil e 100 morrem por ano, a nossa sociedade, de alguma forma, está respondendo que vidas negras não importam”, lamentou.

Direitos desconhecidos
Uma pesquisa de 2013 apresentada durante o seminário revelou que 81% dos entrevistados não conhecem os direitos de crianças e adolescentes. Para a deputada Maria do Rosário (PT-RS), coordenadora da Frente, conhecer esses direitos seria o primeiro passo para mudar uma cultura que permite esse tipo de violência.

“Tratar um jovem ou uma criança com racismo é promover o ódio, que se multiplica em tudo que está ao redor daquela criança e daquele jovem ao longo de sua vida. O machismo e a discriminação das mulheres também. A cultura de posse do corpo das mulheres, como se esse corpo não pertencesse à menina, não pertencesse à mulher, mas sobre ele os meninos, os homens tivessem poder. Então, eu diria que enfrentar a cultura é criar uma rede de proteção onde quem vê uma violência se incomoda com ela”, afirmou.

Educação Sexual
Karina Figueiredo, do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, afirmou que a educação sexual, por exemplo, em vez de estimular o sexo precoce, como se pensa no senso comum, faz com que os jovens se preparem melhor e acabem adiando a iniciação sexual e exercendo a sexualidade com mais segurança e respeito. Ela defende que o tema seja tratado com as crianças desde cedo, para que elas conheçam seus corpos e saibam se defender de abusos.

“Primeiro a gente tem que ensinar a criança a nominar as partes do corpo. Conversar, dizer: olha, quem são as pessoas que podem tocar nela, na hora do banho, e se for uma coisa que está incomodando, que a criança tem que falar não, eu não gosto, mesmo que seja um beijo de uma tia querida, mas eu não gosto daquilo, eu não gosto que alguém me agarre, que me apertem, então a criança poder falar "não" e ser respeitada. Nós temos material inclusive para bebês a partir de 18 meses. A ideia é, desde pequenininha, ela poder ter a oportunidade de receber essa informação”, recomendou.

A campanha “Defenda-se: autodefesa de crianças contra a violência sexual” foi apresentada por Pâmela Ribeiro, do Grupo Marista. São 10 vídeos de curta duração que auxiliam as crianças a reconhecer e evitar situações de violência.

Reportagem - Verônica Lima
Edição - Geórgia Moraes

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Comentários

Erasmo Neto | 30/11/2017 - 10h20
A proposta da edução sexual é coerente.As outras bases para discussão tem que ser revisadas.Ex: se a maioria da população local é negra,os considerados crimes possuem números elevados.Machismo perdeu, devido ao aumento das prisões femininas.Com raciocínio lógico que pode fornecer conclusões cientificas coerentes no Brasil. 1º as forças armadas classificaram indivíduos masculino de 1ª,2ª e 3º classe,sem distinção de cor.Mulheres,não casadas não eram reconhecidas como familiar. Filhas de militares,sem distinção de cor e com filhos;não casavam para não perder o benefício?Discurso vazio?