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31/10/2017 - 22h21

Assassinato de jovens negros no país é três vezes maior do que o de jovens brancos

O número de jovens negros assassinados no país é três vezes maior do que o de jovens brancos. Em audiência pública na Câmara nesta terça-feira (31), representantes do Governo e de organizações sociais destacaram que todos são afetados pelo genocídio da população negra no Brasil.

A discussão aconteceu na Comissão Externa que avalia a criação do Plano Nacional de Enfrentamento ao Homicídio de Jovens (PL 2438/15).

Para o professor Mário Theodoro, relator da Comissão da Verdade Sobre a Escravidão Negra no Distrito Federal e Entorno, a raiz do problema é o racismo, o preconceito e a discriminação.

Gilmar Felix / Câmara dos Deputados
Audiência Pública. Dep. Reginaldo Lopes (PT-MG)
Reginaldo Lopes defendeu mudanças na estrutura da segurança pública para reduzir homicídios e violência

"As estatísticas mostram que a cada 25 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil. Milhares de famílias, mães, irmãs, esposas sofrem com a morte dos seus entes queridos e no final das contas você tem uma sociedade cindida em função da violência que passou a ser quase que naturalizada e endêmica", lamentou.

Autor do pedido para a audiência, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), defendeu mudanças na estrutura geral da segurança pública no país para atingir as metas de redução dos homicídios e da violência.

"Nós queremos uma política de Estado no enfrentamento da violência, em especial no enfrentamento de homicídios de jovens negros e pobres. O Brasil vive uma guerra civil declarada contra esses jovens", afirmou.

A Subsecretária de Segurança Cidadã da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, Andreia Macedo, informou que o DF reduziu em 38% nos últimos dois anos o número de crimes violentos letais intencionais através da integração dos órgãos de segurança pública.

“Temos que desconstruir essa ideia de que homicídio não se previne, que é uma fatalidade, não é. Cabe ao Estado conduzir soluções exitosas para isso e isso se faz com política pública", argumentou.

A Comissão recebeu também um texto com sugestões para o projeto de lei e publicações sobre o assunto, como o livro 'A verdade da escravidão negra no DF e Entorno' que será lançado neste mês na Câmara. Também participaram da audiência sobre enfrentamento ao homicídio de jovens negros, representantes da Aliança de Negras e Negros Evangélicos do Brasil, do Conselho de Defesa dos Direitos do Negro do DF e da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras.

Íntegra da proposta:

Reportagem - Leilane Gama
Edição - Geórgia Moraes

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Comentários

tommy | 07/11/2017 - 11h24
Há pessoas aqui que decoraram com maestria a cartilha esquerdista, “acuse-os do que você faz e chame-os do que você é”, quem entende um pingo é letra.
João Eudes Carneiro Filho | 02/11/2017 - 17h30
Mas, afinal, quem mata estes jovens? São brancos? Ou são os próprios negros? Por que não mostram a estatística correta com o perfil dos agressores? É muita idiotice mesmo.
SIZENANDO LEAL CRUZ | 01/11/2017 - 23h36
Essa situação tem raízes na escravidão, pois a Lei Aurea não garantiu aos escravos e seus descendentes condições favoráveis de sobrevivência, pelo contrário, deu as costas, jogou a população negra na periferia, na humilhação. A situação da população negra é hoje vergonhosamente o resultado e expressão do racismo que nunca abandonou a sociedade brasileira. Atualmente vivemos perigosamente avanço do conservadorismo reacionário. o aparecimento e ressurgimento de grupos fascistas que pregam o ódio racial, a homofobia e ódio machista tem mostrado que a sociedade vive uma verdadeira endemia.