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11/08/2017 - 18h03

Surdocegueira poderá ter data nacional de conscientização

Trata-se de uma deficiência caracterizada pela ausência da visão e da audição de forma simultânea e em graus diferentes

Jakub Krechowicz/Fotolia
Direitos Humanos - deficiente - sinalização acessibilidade deficientes visuais cegos braile
A leitura em braile é uma das formas de comunicação usadas pelos surdocegos

Participantes de audiência pública ocorrida na Câmara na última quarta-feira (9) propuseram a fixação de 18 de novembro como Dia Nacional das Pessoas Surdocegas. O encontro foi organizado pela Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência.

A Surdocegueira é uma deficiência caracterizada pela ausência da visão e da audição de forma simultânea e em graus diferentes. Não são duas deficiências juntas, mas sim uma deficiência única, que precisa ser tratada de forma específica.

Segundo a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), estima-se que existam cerca de 40 mil surdocegos no Brasil. Nos Estados Unidos há mais 50 mil pessoas com essa condição, e na União Europeia, 150 mil pessoas.

Existem várias formas de comunicação utilizadas pelos surdocegos que lhes dão mais qualidade de vida. As principais incluem o braile, escrita "em fôrma" na palma da mão, libras tátil ou em campo reduzido, e o tadoma, pela qual a pessoa coloca o polegar na boca do falante e os dedos ao longo do queixo.

É pelo tadoma que Cláudia Sofia se comunica. Ela é surdocega adquirida – ficou surda aos seis anos e perdeu a visão aos 19. A família não tinha informações a respeito de escolas especiais, e Cláudia acabou estudando com ouvintes. A moradora de São Paulo relatou que tem uma vida independente, e que quer ajudar as futuras gerações. "Estamos prontos para mostrar à sociedade que podemos estudar, trabalhar, casar, construir família”, afirmou Cláudia.

Desafios
Os expositores da audiência destacaram que os surdocegos têm desafios de acessibilidade, comunicação e mobilidade diferentes das pessoas só com surdez ou só com cegueira, e que a criação da data poderá contribuir para que a sociedade tenha mais informações sobre o tema.

Representante da Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Wederson dos Santos, disse que trazer visibilidade para a temática [da surdocegueira] é um importante primeiro passo para abrir e forçar o debate, no sentido da organização das demandas, e do modo como os governos, nas diversas esferas, respondem a essas demandas."

O deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG) anunciou que vai elaborar projeto de lei que institui o Dia Nacional das Pessoas Surdocegas. Por sua vez, o deputado Diego Garcia (PHS-PR), que presidiu a discussão, disse que essa foi uma das audiências mais importantes da atual legislatura e de seu mandato.

Pioneira
A data de 18 de novembro foi escolhida em homenagem a Nice Tonhozi de Saraiva (que faz aniversário nessa data), pioneira na educação direcionada aos surdocegos na América Latina.

A ideia é criar o novembro branco e vermelho: referência à bengala que tem essas cores e que é utilizada apenas pelos surdocegos (o cinza é usado nas bengalas dos cegos ou com baixa visão, mas que são ouvintes). “Muitas vezes a gente anda com a bengala, e as pessoas vêm conversar não sabendo que somos surdos também”, disse Lara Gontijo de Castro Souza, educadora social da Feneis Minas Gerais e representante da Associação Brasileira de Surdocegos.

Reportagem - Leilane Gama
Edição – Sandra Crespo

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