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24/09/2015 - 18h43 Atualizado em 28/09/2015 - 16h27

Conceito de família como união entre homem e mulher é aprovado em comissão especial

Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
Reunião para discussão e votação do parecer do relator, dep. Diego Garcia (PHS-PR)
O deputado Diego Garcia comemorou a aprovação do seu relatório sobre o projeto do Estatuto da Família

Após quase cinco horas de discussão, a Comissão Especial do Estatuto da Família aprovou nesta quinta-feira o Projeto de Lei 6583/13 conforme o relatório do deputado Diego Garcia (PHS-PR), que reconhece a família como sendo o núcleo formado a partir da união entre um homem e uma mulher. O texto foi aprovado com 17 votos favoráveis e cinco contrários, mas ainda haverá votação de quatro destaques na próxima reunião.

Cinco deputados do PT, PCdoB, PTN e PSol se revezaram na apresentação de requerimentos para adiamento da discussão e da votação da matéria por serem contrários ao projeto, mas foram vencidos. A sessão também teve a presença de manifestantes dos dois lados e alguns momentos de atrito entre parlamentares e manifestantes.

Os contrários ao projeto, como a deputada Erika Kokay (PT-DF), argumentaram que o Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu favoravelmente à união civil homoafetiva e que o projeto vai negar, a esse tipo de união, o direito a uma especial proteção do Estado.

Conceito restrito
O deputado Glauber Braga (PSol-RJ) disse que os parlamentares não podem restringir o conceito de família:

"Se eu chegar para qualquer um dos parlamentares aqui e disser: 'Olha, como deputado, eu quero saber se você já se separou, se você é casado, se você tem filhos...' O parlamentar, com toda a justiça, vai me esculhambar e pode inclusive entrar no Conselho de Ética, porque eu não tenho o direito de entrar na esfera privada dos senhores. E não é também direito institucionalizar isso. Essa é a minha crítica ao relatório apresentado: é institucionalizar a presença do Estado nas relações privadas com um modelo único de família"

Porém, o deputado Evandro Gussi (PV-SP) argumentou que o conceito de família está na Constituição: "A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 reconheceu um dado que é da natureza. Porque o afeto, como já bem delineou o deputado Diego Garcia em seu relatório, não é critério constitutivo de família. As pessoas que quiserem ter o afeto que tenham, e o Estado vai garantir isso. Daí a transformar em entidade estável, que garante a procriação e a formação de pessoas, é outra conversa. Não estamos querendo impor nada, pelo contrário. Nós humildemente estamos reconhecendo o que a natureza prescreve."

O deputado Diego Garcia disse em seu parecer que as relações de "mero afeto" não devem ser tratadas pelo Direito de Família. Segundo ele, os diferentes arranjos sociais não presumem "reprodução conjunta" e "cumprimento de papel social". Para a deputada Erika Kokay, esse argumento fere também os casais heterossexuais que não podem ou não querem ter filhos.

A maioria dos deputados favoráveis ao texto procurou apenas declarar seus votos de apoio, para não atrasar mais a deliberação.

Tramitação
O projeto, de autoria do deputado Anderson Ferreira (PR-PE), poderá seguir diretamente para o Senado após a votação dos destaques, a menos que haja algum recurso para análise da matéria em Plenário.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Sílvia Mugnatto
Edição – João Pitella Junior

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Comentários

Santana | 23/04/2017 - 19h48
Sem delongas, Família é a união de um Homem com sua esposa, união de homem com homem é, mero ajuntamento, família tem que gerar filhos e filhas para dar sequência a procriação humana, de maneira que se não existir a união do Homem com sua esposa para que seja dado naturalmente a sequência de procriação familiar, a humanidade teria sido extinta em poucos anos, só a família verdadeira dotada de casais héteros subsistirá. O ajuntamento de homem com homem é apenas um ajuntamento não pode subsistir nem procriar a humanidade nestes termos não subsistiria. Viva a procriação viva a família.
Caique Santos | 29/09/2016 - 20h46
Brasil país atrasado, preconceituioso e egoista. Ao invés de igualdade de direitos só vejo esses politicos querendo resumir o pais inteiro a um culto dominical. Todos devem ter os mesmos direitos. É preciso parar de tentar justificar tudo usando Deus, usando a Biblia. Parar de se ser egoista por ter todos os direitos garantidos e olhar para o lado, para quem se vê invisível aos olhos desse governo. Lembro de ter ouvido uma mentira na escola: "o Brasil é um Estado Laico". Rezo para que todos esses invisíveis brasileiros, tenham condições de sair do Brasil, caso queiram. Lugar retrógrado.
thiago | 28/09/2016 - 22h48
Que retrocesso. Reforma política já.