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25/05/2011 - 20h26

Pressão de bancadas faz governo cancelar kit sobre homossexualidade

Beto Oliveira
Dep. Anthony Garotinho (PR-RJ)
Garotinho: "Não é papel do governo decidir se o cidadão deve ser gay."

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, anunciou nesta quarta-feira (25), após reunião com deputados das bancadas católica e evangélica, que o governo suspendeu a produção do kit contendo vídeos e cartilhas contra a homofobia, em elaboração pelo Ministério da Educação para orientar professores do ensino médio.

O anúncio veio após decisão da bancada religiosa de apoiar a convocação do ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, caso o kit não fosse cancelado. Em reunião nesta terça-feira (24), os deputados também haviam decidido obstruir todas as votações na Câmara e propor uma CPI para investigar o MEC.

O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), que participou da reunião com Gilberto Carvalho, disse ter ficado satisfeito com a suspensão do material. No início das votações desta quarta-feira, todos os requerimentos de obstrução elaborados pela bancada evangélica foram retirados. Segundo ele, a articulação sobre a CPI e a convocação de Palocci está suspensa e será esquecida assim que o governo confirmar o cancelamento do kit.

“Nós somos contra a discriminação aos homossexuais, mas o material que estava ali incentivava, estimulava uma opção sexual”, disse Garotinho. “Não é papel do governo decidir se o cidadão deve ser gay, se a menina deve ser lésbica. Essa é uma decisão pessoal. O papel do governo é, sim, combater qualquer tipo de discriminação.”

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O deputado Lincoln Portela analisa, em entrevista à Rádio Câmara, a decisão da presidente Dilma de suspender a produção do kit sobre homossexualidade.

O deputado Eros Biondini (PTB-MG), que representou a bancada católica no encontro com o ministro, acrescentou que o material confunde, além de estimular o homossexualismo na infância e na adolescência. “Somos contra qualquer tipo de discriminação, mas somos zelosos dos valores e dos princípios da família”, disse.

Novo kit
Segundo o ministro Gilberto Carvalho, a presidente Dilma Rousseff considerou o material "inadequado" e, por isso, resolveu suspender a produção. O governo pretende se reunir com a Comissão de Educação e Cultura e com as bancadas católica e evangélica da Câmara para elaborar um novo kit.

Marcelo Brandt
Jean Willis
Jean Wyllys: presidente cedeu à chantagem de "fundamentalistas religiosos".

Carvalho negou que o governo esteja recuando no combate à homofobia. "Entendemos que, se você produz material que sofre uma tamanha contestação, o próprio objetivo [dele] passa a ser prejudicado. É melhor que você produza um material com mais diálogo, que ele seja aceito mais amplamente, para atingir o objetivo de diminuir o preconceito e a violência contra homossexuais”, afirmou o ministro. “Eu insisto: não se trata de recuo, se trata de um processo mais aprofundado de diálogo."

Direitos Humanos
A presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, deputada Manuela d’Ávila (PCdoB-RS), disse que o colegiado também quer participar dos debates. Ela apontou que o material contra o bullying homofóbico nas escolas é o ponto central do programa “Brasil contra a homofobia”, do governo.

“Temos presenciado diversos assassinatos e agressões aos homossexuais. Mesmo sendo legítima a interpretação de alguns parlamentares de que esse kit tinha equívocos, não se justifica a ausência de outro material confeccionado pelo governo”, argumentou a deputada.

O coordenador da Frente LGBT, Jean Wyllys (Psol-RJ), lamentou que a presidente Dilma tenha cedido à “chantagem” de parlamentares que classificou como “fundamentalistas religiosos”. “Apesar das inúmeras informações corretas sobre o kit anti-homofobia, divulgadas inclusive por mim, há quem insista em mentiras e equívocos”, disse.

Reportagem - Marcello Larcher e Renata Tôrres/Rádio Câmara
Edição - Daniella Cronemberger

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'



Comentários

Alberio Gomes | 30/05/2011 - 12h54
Defendemos quaisquer tipos de atitudes ou atos contra homossexuais? De modo algum, pois estes tem o pleno direito e a liberdade, de escolher o tipo de vida que querem levar, e todos nós devemos respeitá-los como a qualquer outro cidadão, assim como estes devem respeitar a sociedade também, do mesmo modo que qualquer outro cidadão em nosso país, ou seja, sem heterofobias!
Alberio Gomes | 30/05/2011 - 12h53
Estes deveriam colocar-se em seu devido lugar na sociedade, e deixar de zombar da inteligência do povo brasileiro, pois estes não estão acima de tudo e de todos, e muito menos acima das leis, pois para os infratores da ordem estabelecida, já temos leis mais do que suficientes, para ser aplicadas para a proteção de qualquer cidadão brasileiro.
Alberio Gomes | 30/05/2011 - 12h51
Os homossexuais representam apenas 0,00000001 % de uma população de mais de 190 milhões de brasileiros, ou seja, são um verdadeiro gato pingado, e portanto, por que estes deveriam ser privilegiados com a criação de leis especiais e exclusivas para os tais? Sinceramente, basta de tanta conversa fiada! O povo brasileiro tem por hábito falar verdadeiros horrores de deputados, senadores, ministros, autoridades, e do presidente da República, e pode-se opinar sobre tudo e todos, então neste caso, os homossexuais são uma super raça superior, uma casta da qual não se pode falar ou opinar a respeito?
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