Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

12/07/2018 - 14h46

Para professor da UFRJ, teto é uma “aberração matemática”

Brizza Cavalcante
Luiz Davidovich (Secretário-Geral da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação)
Davidovich: sistemas complexos são imprevisíveis

Durante o debate no Plenário da Câmara dos Deputados, o professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro Luiz Davidovich chamou o teto de gastos de “aberração matemática”. “Eu sou físico, lido com modelos matemáticos dinâmicos, e sistemas complexos são imprevisíveis. É impossível prever o que vai acontecer no País no ano que vem”, disse Davidovich, para quem o governo usa de artifício para não definir prioridades.

Segundo ele, enquanto a China aumenta o seu investimento em pesquisa e desenvolvimento para 2,5% do PIB — meta para 2020 — e a Europa pretende alcançar 3% do PIB, o Brasil patina em torno de 1% do PIB para o setor.

O presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Emmanuel Tourinho, afirmou que a política econômica deve atender aos interesses da sociedade e não do mercado financeiro. Ele também defendeu a revogação da emenda constitucional do teto de gastos.

Marco legal
O deputado Vitor Lippi (PSDB-SP) lembrou que a aprovação do novo marco legal da ciência e tecnologia (Lei 13.243/16) representa um novo patamar na integração entre as universidades brasileiras, o setor produtivo e a sociedade, mas ainda há muitos desafios.

“O conhecimento por si só não transforma. Ele precisa ser aplicado. Por isso, precisamos valorizar e incentivar ainda mais os projetos de extensão”, disse, Lippi, reforçando a ideia de que os mais de 900 centros universitários públicos sirvam como centros de desenvolvimento econômico e social.

Agrotóxicos
Por sua vez, o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) defendeu a valorização e o respeito à produção de pesquisadores e cientistas brasileiros, para evitar o que teria ocorrido na votação pela Câmara do projeto que alterou a legislação brasileira sobre agrotóxicos. “Era como não se tratasse de evidências científicas e descobertas a partir de pesquisas, como se fossem meras opiniões.”

O texto aprovado, que ainda será analisado pelo Senado, adota o termo pesticida e permite a liberação para uso desses produtos mesmo sem a conclusão de análises sobre os eventuais riscos.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Wilson Silveira

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'