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11/12/2015 - 09h00

Especialistas e deputados destacam importância de programa de desenvolvimento de submarinos

O Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha do Brasil sofre com a falta de recursos financeiros. O projeto iniciado em 2008, em parceria com a França, prevê a construção de um submarino com propulsão nuclear, quatro submarinos convencionais e um complexo de estaleiro e base naval que está em construção no município de Itaguaí, no Rio de Janeiro. A Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas, que também é parte do programa, foi inaugurada em março de 2013.

O programa foi o tema de audiência pública realizada nesta quinta-feira (10) pelas comissões de Finanças e Tributação e de Viação e Transportes.

Durante a reunião, o coordenador-geral do Programa de Desenvolvimento de Submarinos com Propulsão Nuclear, Almirante-de-Esquadra Gilberto Hirschfeld, disse que o projeto é de grande importância, já que traz parte da tecnologia desenvolvida na França para o Brasil, e pretende capacitar ao menos 600 engenheiros. No entanto, o projeto estimado em 31,8 bilhões de reais está ameaçado devido a cortes de aproximadamente 41% dos recursos.

"É muito difícil renegociar equipamentos comprados. Eu vou dar um exemplo lá de São Paulo, de Aramar, que os dois programas estão ligados, ele já está sofrendo bastante. Ele está chamando empresas internacionais para negociar coisa que já foi comprada e recebida, equipamentos que já foram recebidos. Fica muito difícil. Eu estou preocupado porque não podemos parar", falou o almirante.

As obras do submarino de propulsão nuclear estão previstas para começarem no ano que vem e o veículo deve ficar pronto somente em 2023.

O secretário de controle externo da Defesa Nacional e representante do Tribunal de Contas da União, Edison Franklin, afirmou que as contas da Marinha estão em dia.

Conhecimento tecnológico
A deputada Soraya Santos (PMDB-RJ), uma das requerentes da audiência, reafirmou a importância do projeto e disse que o Brasil irá ganhar conhecimento tecnológico que não é facilmente adquirido.

"A troca tecnológica na área nuclear é impossível, porque não há confiança o suficiente. Quando se fala em certos assuntos, não há confiança. Então isso é nosso. Isso é um outro salto. Nós temos dois ganhos: nós qualificamos pessoas, nós temos o nosso corpo, isso é um projeto que está sendo criado em São Paulo por pessoas que estão prontas para uma tecnologia que é nossa. Além das que vamos agregar com essa troca em parceria com a França. Então estamos à bordo sim."

Reportagem - Ana Gabriela Braz
Edição - Mônica Thaty

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