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29/10/2013 - 21h28

Advogado nega denúncia de maus-tratos a cães no Instituto Royal, mas é vaiado em audiência

Antônio Araujo / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre as denúncias de maus-tratos a animais no Instituto Royal, situado no município de São Roque/SP
O plenário da audiência ficou lotado de ativistas pela causa animal.

Em um plenário cheio de ativistas que defendem a causa animal, o advogado do Instituto Royal, Alexandre Serafim, negou as denúncias de maus-tratos aos cães usados nas pesquisas científicas realizadas pela entidade. Alexandre Serafim participou, nesta terça-feira (29), de audiência pública realizada pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados na qual o assunto foi debatido.

Na madrugada de 18 de outubro, um grupo de ativistas invadiu o Instituto Royal, localizado em São Roque, no interior paulista, e retirou 178 cães da raça beagle que estavam sendo usados em testes científicos.

Vaiado diversas vezes, o advogado do Instituto Royal afirmou que todas as pesquisas com animais feitas pela entidade têm base legal.

Alexandre Serafim também lembrou que o instituto tem certificado do Conselho de Controle de Experimentação Animal (Concea) para poder atuar, "As denúncias de maus-tratos são infundadas. Os cães se encontram em ambientes adequados. O instituto dispõe de todas as licenças e autorizações para funcionar como manejo de animais. Os animais que ficam nas dependências do instituto têm tratamento adequado, até porque, como foi mencionado pelo representante do Concea, não se consegue chegar a bom termo nas pesquisas se os animais não estiverem em condições absolutamente regulares de tratamento com relação a peso, idade. Até circunstâncias de umidade são controladas dentro do instituto."

Assista reportagem da TV Câmara sobre a audiência pública.

Inspeção
O advogado da entidade também ressaltou que o Instituto Royal foi inspecionado neste ano a pedido do Ministério Público. Segundo Alexandre Serafim, um biólogo designado pelo Ministério Público verificou o estado de saúde dos animais e constatou que gozavam de boa saúde, além de não aparentarem ter sofrido abusos e maus-tratos.

A presidente da União Internacional Protetora dos Animais, Vanice Orlandi, rebateu as declarações do advogado. Segundo ela, quando o biólogo e o veterinário designados pelo Ministério Público chegaram ao pátio externo do laboratório, sentiram um forte cheiro e acharam que vinha de cadáveres - mas eram, na verdade, as fezes dos cães. A ativista ressaltou que os animais se alimentavam e dormiam sobre as próprias fezes.

Vanice Orlandi levantou dúvidas sobre as informações que constam no inquérito civil aberto pelo Ministério Público. "Por enquanto, com base naquele inquérito civil, não tem como se concluir muita coisa, porque as visitas foram previamente agendadas - o que descaracterizou muito. Os dois profissionais que visitaram o instituto não presenciaram como é feita a experimentação em si.”

A dirigente alegou que muito do que está no relatório tem como base o que foi dito por funcionários para os profissionais: “‘Ah, eles saem para tomar sol, ar? Ele saem para tomar sol.' Quer dizer, eles não viram. Eles não puderam constatar que o animal sai para tomar sol nem nada. Mas há relato, por exemplo, de um ex-funcionário que diz que os animais, os machos, jamais saíram para tomar sol. Nunca viram a luz do dia."

Incineração de carcaças
O relator da comissão externa criada pela Câmara para investigar o caso do Instituto Royal, deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP), foi também o autor do pedido para a realização da audiência pública. Ele afirmou que tem recebido diversos documentos relacionados à entidade, alguns, inclusive, sem identificação de quem enviou.

Um deles, segundo Ricardo Tripoli, é uma solicitação feita pelo instituto à Secretaria Estadual do Meio Ambiente para incinerar aproximadamente duas toneladas e meia de carcaças de animais por ano. "Ou seja, eles estavam levando os animais a óbito. Tem um documento que comprova que eles estavam testando agrotóxico e, depois de 90 dias, eles matavam o animal para depois fazer o estudo para saber qual foi o impacto do agrotóxico na vida desse animal."

Ricardo Tripoli declarou que os animais estavam sofrendo no Instituto Royal. O deputado também defendeu a ação dos ativistas que retiraram os 178 beagles da entidade. Na opinião do parlamentar, eles são pacifistas por natureza.

Tripoli acredita que atos de vandalismo no instituto não foram realizados pelos ativistas e sim por "um grupo que não tinha nada a ver" com os defensores dos animais.

Vote na enquete sobre projeto que amplia penas para maus-tratos contra cães e gatos.

Íntegra da proposta:

Reportagem - Renata Tôrres
Edição – Regina Céli Assumpção

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'


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Comentários

Neusa | 13/11/2013 - 23h11
Eu sou totalmente contra o uso de animais nessa bestialidades que eles sádicos chamam de "ciência ".É maus-tratos sim, é crueldade sim, é desnecessário sim. Essa ciência deles é medieval, atrasada. tem métodos modernos e se não tem eles que inventem. Cientistas não são deuses ? Não à vivissecção, não ao uso de animais em laboratórios.
CAROLLINA KORMANN | 01/11/2013 - 09h36
MUITAS MUITAS VAIAS PARA ELE: "UUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH""
Valdir | 30/10/2013 - 13h34
Achei a reportagem parcial. O deputado disse que os cães eram levados à óbito. Será que ele tem noção de como pode ser avaliada o efeito tóxico da substância testada no animal? Ele tem que ser sacrificado e seu órgãos analisados. E isto faltou na reportagem. O sacrifico não caracteriza maus-tratos, é parte do procedimento utilizado em qualquer pesquisa da área de biociências e, por sinal, exigida por lei para liberação de testes em humanos ou para comercialização de algum produto. Att.,
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