Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

08/05/2018 - 20h02

Produtores rurais defendem priorizar segmentos em renegociação de dívidas

Michel Jesus/Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre o levantamento e soluções para o endividamento agropecuário nos Estados e Municípios. Vice-Presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do RS - FEDERARROZ, Alexandre Velho
Representante dos arrozeiros, Alexandre Velho disse que o problema do setor é estrutural e defendeu o direcionamento dos recursos 

Representantes de produtores rurais cobraram nesta terça-feira (8), em audiência pública na Câmara dos Deputados, prioridade para os segmentos mais necessitados durante o processo de renegociação de dívidas do setor agrícola.

Eles participaram de reunião na comissão especial que debate soluções para o endividamento do setor agrícola.

Para o diretor institucional da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), Benedito Rosa, a renegociação deve seguir critérios bem definidos e priorizar segmentos com maior dificuldade em saldar seus compromissos. “Se o cobertor está curto com algo com R$ 1,2 bilhão para equalização é preciso um critério para distribuir esse recurso para contemplar os segmentos que mais precisam”, afirmou.

Rosa citou a estimativa do governo para gastar com a equalização da taxa de juros para o Plano Safra 2018/19. Por meio da equalização, o governo cobre a diferença entre a taxa de juros praticada no mercado financeiro e a taxa efetivamente paga pelo produtor.

O vice-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho, falou que o problema do arroz é estrutural, como custo alto de energia elétrica. “Temos de direcionar recursos para setores que realmente precisam. O endividamento do arroz ainda não apareceu por causa de muitas prorrogações”, disse.

Dívida
O agronegócio possui cerca de R$ 303 bilhões em compromissos a serem saldados com o sistema financeiro, de acordo com dados de dezembro de 2017 do Banco Central (BC), citados pelo coordenador do colegiado, deputado Jerônimo Goergen (PP-RS).

O vice-presidente da Comissão Nacional de Política Agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Pedro Loyola, afirmou que os dados do BC mascaram a situação do endividamento agrícola. “Não temos hoje separado nos dados do sistema financeiro nacional o que são os dados de renegociação de dívidas do passado com as operações em normalidade”, disse.

Na opinião do secretário de Política Agrícola da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Antoninho Rovaris, toda renegociação faz injustiça com quem conseguiu pagar suas dívidas em dia. “Temos alguns que, por conveniência ou garantias dadas, sentam e esperam as coisas acontecerem”, afirmou.

Reduzir gordura
O objetivo da comissão, segundo Goergen, é reduzir a “gordura da dívida”, ou seja, atualizar os juros cobrados dos produtores. Para ele, os juros pagos estão acima dos praticados pelo mercado e inviabilizam a atividade agrícola. “A dívida agrícola do Brasil está escondida e é um gravíssimo problema”, completou.

Goergen confirmou que não será possível garantir uma medida para ajudar a renegociar todo o agronegócio, mas será preciso focar nos segmentos mais comprometidos. “Não vai ter como ter uma medida para todo mundo. Acho que devemos ir para os setores mais necessitados, como leite e arroz. Com poucos recursos disponíveis precisamos ter ainda mais efetividade”, disse.

A comissão fará uma reunião nesta quarta-feira (9) com representantes de bancos e na semana que vem com membros do Poder Executivo. A intenção, segundo Goergen, é agilizar e concluir os trabalhos até dia 23 de maio.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'



Comentários

Lindamar Machado Pereira | 15/05/2018 - 16h42
Sou agropecuarista e suinocultora,no PR enfrentamos na nossa região problemas com seca,preços incompatíveis com o custo de produção e por discordância nos termos em que a normativa assegurava o direito a prorrogação na época ficamos desamparados a lei.Afinal a seca foi fato.Decreto municipal 7 dias após data base na normativa.Desde então pleiteamos na justiça ao qual o Banco do Brasil nos apresenta valores exorbitantes.As leis que protegiam a atividade não existem mais. Fomos instigados a produzir e agora!Queremos respaldo do governo nos enquadrando a renegociação pois queremos poder quita-la
Helio Carvalho | 15/05/2018 - 14h42
Sou agropecuarista no PR, passamos por dificuldades no setor entre 2005 à 2009(seca)nosso município decretou "situação de emergência",porém, por questão de dias (7 dias) excedeu o prazo estabelecido para se enquadrar na MP que possibilitaria uma renegociação com os agentes financeiros. Desde então estamos em discussão judicial, nossa divida passou de agrícola para comercial; tornando-se impagável e por ter garantia real o BB se recusa a fazer um acordo viável com a minha atividade. Estamos acompanhando os trabalhos do Dep Jerônimo Goergen e gostaríamos de nos enquadrar nessa renegociação.