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23/05/2018 - 17h00

Ex-presidente da ANP critica redução da presença do Estado e teme venda da Petrobras

O ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo Haroldo Lima disse aos deputados da Comissão de Desenvolvimento Econômico (23) que o processo de venda de ativos da Petrobras tem que ser revisto. Ele criticou a redução da presença do Estado na economia com as propostas de privatização de estatais importantes como a Eletrobras.

Haroldo Lima afirmou que há risco de a Petrobras também ser privatizada.

Michel Jesus/ Câmara dos deputados
Setor Produtivo, papel do Estado e desnacionalização . Consultor de Empresas Petrolíferas Brasileiras, Haroldo Lima
Haroldo Lima, ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo

"Eu penso que a Petrobras está fazendo um suspeitíssimo processo de enxugamento de seus ativos. Está vendendo coisa que nenhuma empresa petrolífera vende. E só vende se ela não tiver a pretensão de continuar como empresa petrolífera no futuro. Não existe essa proposição, mas existe toda uma movimentação relacionada com a hipótese de vir a vender a Petrobras".

O governo argumenta que a venda de ativos da Petrobras é necessária para reduzir o endividamento da empresa e abrir a possibilidade de novos investimentos.

Além da petrolífera, Haroldo Lima teme a privatização da Previdência Social e dos bancos públicos.

Sobre a venda da Eletrobras, o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) comemorou a queda da medida provisória que avançava na reestruturação do setor de energia. O prazo da medida venceria em duas semanas, mas houve um acordo para que ela não seja votada.

"Foi uma grande vitória, foi a vitória da pressão da sociedade, dos diversos segmentos; da percepção de que aqui na Casa essa medida não teria como ter encaminhamento. Mas não está encerrada a batalha e o debate está em curso".

Haroldo Lima disse ainda que o processo de desindustrialização da economia também vem ocorrendo pela falta de ação do Estado. Segundo ele, a participação da indústria no Produto Interno Bruto, que já foi de 32% na década de 70, caiu para cerca de 11% em 2014. Entre 2000 e 2015, o setor químico viu as importações serem multiplicadas por quatro.

Reportagem – Sílvia Mugnatto
Edição – Ana Chalub

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