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25/05/2011 - 16h10

Cenário da produção do álcool é preocupante, dizem especialistas

Lula Lopes
Marcos Sawaya Jank (presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar), dep. Luiz Fernando Faria (presidente da CME), Allan Kardec Duailibe (diretor da ANP), Alísio Jacques Mendes Vaz (presidente do Sindicom)
O aumento do preço do álcool na última entressafra motivou debate na Comissão de Minas e Energia

O País tem como desafio para a próxima década aumentar a produção de cana-de-açúcar e conseguir atender à demanda da frota cada vez maior de carros flex ou movidos a álcool, afirmaram nesta quarta-feira especialistas que discutiram o assunto na Comissão de Minas e Energia. Na opinião dos debatedores, o cenário atual do setor de álcool combustível é preocupante. A audiência foi sugerida pelos deputados Arnaldo Jardim (PPS-SP), Dr. Aluizio (PV-RJ) e Onofre Santo Agostini (DEM-SC) e teve como ponto de partida os aumentos no preço do álcool durante a entressafra, que terminou em abril passado.

“A entressafra pressionou os estoques que existiam e levou a um aumento de preços. O anidro [álcool que é misturado à gasolina] aumentou 121% em 2011 e o hidratado, 47%”, lembrou o presidente do Sindicato Nacional de Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), Alísio Jacques Mendes Vaz.

Conforme explicou o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), Marcos Sawaya Jank, houve uma quebra de safra neste ano, em razão principalmente da seca, e não da migração da produção de cana para o setor de açúcar. “A migração que houve de metanol para açúcar foi de 5% da produção em três anos. A quebra que houve por conta da seca no ano passado foi 10% da produção apenas nessa safra”, disse Jank.

Ainda que o preço do álcool tenha caído nas últimas semanas e que o governo tenha tomado providências em relação ao problema, o deputado Arnaldo Jardim acredita na necessidade de um planejamento mais perene para o setor. “Os preços diminuíram agora, mas a situação pode se repetir. Estamos falando de um combustível que queremos que sobreviva e se desenvolva. Qual seria o grau de poluição nas grandes cidades sem o etanol?”, questionou.

Produção
Para contornar o problema, Alísio Vaz e Marcos Jank defenderam investimentos na produção de cana-de-açúcar e nas usinas de etanol do País. Segundo Jank, a produção de cana, que vinha crescendo a uma taxa de 10,4% ao ano desde 2002, desacelerou a partir de 2008, com a crise financeira mundial. Neste momento, a produção cresce a 3,3% ao ano. “A desaceleração atingiu as indústrias. Em vez da construção de novas usinas, houve a compra de usinas em dificuldade. Empresas mudaram de mãos, mas não houve o plantio de novas safras. Temos que fazer a indústria voltar a crescer”, disse o presidente da Única.

Ainda segundo Marcos Jank, existe um déficit de 150 novas usinas de etanol até 2020, o que demandaria o investimento de R$ 80 bilhões. No entanto, afirmou, essas novas usinas não são criadas em razão do aumento do custo de produção da cana, que hoje é de R$ 54 a tonelada no estado de São Paulo, contra R$ 39 em 2005. Hoje o País conta com 427 usinas.

Situação desigual
Os participantes da audiência criticaram ainda a situação desigual do álcool em relação à gasolina. Conforme afirmaram, o álcool está sujeito a oscilações de preço, enquanto o preço da gasolina está protegido. “Quando o preço do álcool ultrapassa 70% do valor da gasolina, o consumidor rapidamente migra para a gasolina. Mas, aqui no Brasil, a gasolina não varia de preço desde 2005. Dá a impressão que o problema está no etanol”, disse Marcos Jank.

O presidente da Federação do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda Soares, sugeriu que a margem de mistura de álcool anidro na gasolina seja de 10% a 25%, em vez de 20% a 25% (percentual válido até abril). A mudança de percentual, na opinião de Soares, permitirá uma mistura menor de álcool na gasolina e garantirá o abastecimento de postos na entressafra. A Medida Provisória 532/11, editada pelo governo em abril, estabeleceu percentual de mistura de 18% a 25%. Essa MP aguarda votação na Câmara.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Maria Clarice Dias

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Comentários

jairo gouveia | 26/05/2011 - 10h35
Por que preocupar com álcool, o presidente anterior não disse que somos auto suficientes em petróleo. Infelizmente não temos capacidade de produzir álcool mesmo com a extensão do Brasil, nem temos capacidade técnica para avaliar nosso potencial de auto suficiencia, um corpo sem cabeça, é um corpo sem vida.
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