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26/11/2007 - 13h40

Reitor da Unipalmares aponta desigualdade racial em SP

O reitor da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares (Unipalmares), José Vicente, afirmou que no estado de São Paulo 37% da população é negra, mas, segundo ele, não há nenhum negro entre os quase 300 desembargadores e quase 500 procuradores de Justiça.

De acordo com Vicente, que discursou há pouco na comissão geral sobre o Estatuto da Igualdade Racial, apenas 3,5% dos cargos de direção das 500 empresas paulistas que praticam a responsabilidade social são ocupados por negros. "Continuamos em um País cindido entre negros, que não têm nada, e os demais, que têm tudo", resumiu.

Elda Castro de Sá, da Associação dos Caboclos e Ribeirinhos da Amazônia, afirmou que o Estatuto da Igualdade Racial classifica como negros cablocos da região, oriundos de cruzamentos entre brancos e índios. "Querem nos impor uma identidade", disse. O debate em torno da classificação racial, segundo ela, colocou "índios, caboclos, negros e ribeirinhos em pé de guerra". "Aquele que é oprimido não pode virar opressor", disse.

Guérson César Alves, do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro, disse que o projeto obriga o brasileiro a assumir uma raça e transforma pardos em negros. Segundo ele, "os pardos não são chamados para dar sua opinião". "Eu sou mulato e essa é minha identidade. Exijo que respeitem a minha opinião", disse.

O jornalista Nelson Barreto afirmou que o Estatuto da Igualdade Racial representa um "recuo em tudo em que se conseguiu até hoje no País". Barreto, que integra a Venerável Ordem Terceira de São Francisco, disse que a entidade é a favor de políticas afirmativas, "desde que sejam voltadas para os menos favorecidos, sejam negros ou não".

Reportagem – Edvaldo Fernandes
Edição – Wilson Silveira


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