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09/03/2009 20:18

Demora no repasse dos recursos prejudica a população

As enchentes que atingiram Santa Catarina em novembro de 2008 e em janeiro deste ano provocaram uma perda de receita de R$ 270 milhões desde 22 de novembro passado, segundo o governador Luiz Henrique da Silveira. Para ele, esse foi o "pior saldo do desastre com as chuvas".

Somente o município de Criciúma, com 200 mil habitantes, teve prejuízo de R$ 2,5 milhões, segundo o prefeito Clésio Salvaro. Em Blumenau, cidade de 300 mil habitantes, a reconstrução está calculada em R$ 800 milhões, segundo o prefeito João Paulo Kleinübing. O valor é quase três vezes o orçamento anual do município, atualmente de R$ 300 milhões.

Blumenau foi uma das mais atingidas pelas enchentes de novembro. Segundo Kleinübing, houve 24 mortes e 3 mil pontos de deslizamento. Foram destruídas 2,7 mil casas, 48 escolas e 45 postos de saúde. Segundo ele, já foram removidos da cidade 2,5 milhões de metros cúbicos de terra deslocados pelas enchentes.

O prefeito afirmou que a cidade já recebeu R$ 6 milhões para manutenção emergencial, R$ 2,5 milhões para construção de moradias provisórias e R$ 2 milhões para a saúde. Além disso, foram liberados R$ 38 milhões pelo governo federal, ainda não executados. Kleinübing reclamou da burocracia necessária para o uso dos recursos.

Perdas sociais
Santa Catarina também sofre com o prejuízo social e humano. Em Blumenau, boa parte dos recursos foi investida na construção de moradias provisórias. Um galpão alugado de uma empresa é o endereço de 46 famílias no alojamento Itapava Seca. No total, dividem o espaço 136 pessoas.

Sob o teto de zinco, paredes de compensado foram improvisadas para dividir os "apartamentos" de cada família (na verdade, cubículos nos quais os desabrigados moram provisoriamente). Três geladeiras ficam no corredor e são compartilhadas. Os banheiros também são coletivos.

Calor de verão
Atingidas pela chuva no final da primavera, as famílias suportam o verão como podem. Por estarem dentro de um galpão, as moradias não foram cobertas, para não ampliar ainda mais o calor e a falta de ventilação. Porém, isso impede a fixação de ventiladores, que poderiam dar alívio nos dias em que a temperatura beira os 40°.

Além disso, a ausência de teto amplia a falta de privacidade. Segundo relatos de moradoras do alojamento, durante a noite é comum que os vizinhos espiem as mulheres do apartamento mais próximo por cima dos tapumes. Tudo o que é dito pelas famílias é ouvido pelos vizinhos.

Violência coletiva
"Há muita bebida e no final de semana não dá para ficar aqui. Eu pego a minha mãe e o meu irmão e nós vamos para a casa de parentes, porque isso aqui não é lugar nem para bicho. É uma bomba-relógio", afirma a promotora de vendas Jaqueline Oliveira, uma das moradoras do alojamento. Vizinhas confirmam que casos de violência são comuns, como o filho que tentou esfaquear a mãe e tiros trocados dentro do galpão.

Segundo Jaqueline, à noite muitas pessoas chegam bêbadas e as brigas são comuns. Além disso, há jovens que usam ou traficam drogas. Ela informou que a polícia militar faz rondas no local, mas como o prédio é considerado privado não há uma estrutura de segurança pública permanente. "A polícia diz que do portão para dentro não pode fazer nada, porque eles estão dentro de casa e fazem o que querem. Só com ordem judicial", explica.

Segundo a prefeitura, os moradores devem permanecer de seis meses a um ano nas residências provisórias, até que novas casas fiquem prontas.

Reportagem – Cristiane Bernardes
Edição – Rosalva Nunes


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