ARTIGO da deputada federal ANA PERUGINI - Cidades a serviço do povo

Nasci em Cariacica, no Espírito Santo. Mas, como saí de lá ainda menina, não tenho muitas lembranças da minha terra natal. O lugar em que me sinto em casa, hoje, é Hortolândia, jovem município do interior de São Paulo, do qual tenho muito orgulho e ao qual faço questão de me declarar nas viagens que faço pelo país.
26/09/2016 09h55

Eu acho que amo tanto Hortolândia porque me sinto parte dela. Quando cheguei, não havia asfalto, luz, água, coleta de esgoto, transporte público, praças, jardins e tampouco uma cidade. Tive o privilégio de lutar, ao lado dos moradores do então distrito de Sumaré, pela emancipação política e por uma série de melhorias que, nos últimos 12 anos, transformaram uma cidade-dormitório, formada por migrantes, em uma das cidades mais dinâmicas e bem administradas do país, segundo classificação da Federação da Indústria do Rio de Janeiro (Firjan).

Foram as lutas e as conquistas da população hortolandense que me ensinaram que uma cidade só prospera quando seus governantes percebem que sua maior riqueza é seu povo e se abrem à participação popular, levando seu gabinete para as ruas. É esse sentimento de pertencimento a chave para municípios fortes, com comunidades unidas, que lutam quando têm que lutar e celebram quando as vitórias são conquistadas.

Antes de chegar a Brasília, fui vereadora e deputada estadual em dois mandatos. Foi na Câmara de Hortolândia que mais trabalhei, levando meu gabinete aos bairros, atendendo a população das 8h às 22h e apresentando propostas para melhorar a vida das pessoas. Ajudei na criação do Banco de Alimentos - que é administrado pela prefeitura e, atualmente, distribui uma média de dez toneladas de alimentos por semana a aproximadamente três mil famílias - e do Bolsa-Creche, programa que permitiu convênios com escolas particulares e deu início a uma trajetória de queda no déficit de vagas no município.

 

A participação de movimentos sociais, populares e a militância no Partido dos Trabalhadores, no qual estou desde 1981, me transformaram em uma defensora ferrenha dos municípios, obstinada pelo fortalecimento das cidades e dedicada à criação de políticas públicas que possam contemplar todos os segmentos da comunidade, gerando emprego e renda, oferecendo educação de qualidade, opções de lazer e proporcionando bem-estar às famílias.

Aliás, essa é uma característica dos governos de esquerda. Nossas gestões são voltadas às pessoas. Embora reconheçamos a importância de pontes e viadutos, buscamos obras, programas e projetos que influenciem diretamente na vida da mãe, do pai, do filho e dos demais membros dos lares brasileiros.

Hortolândia, por exemplo, acaba de registrar um dos maiores crescimentos do país no Ideb, índice que mede a qualidade do ensino e do aprendizado nas escolas. Na avaliação feita em 2015, os alunos obtiveram nota 6,5, meta estimada pelo Ministério da Educação para 2019. Mas a cidade não avançou apenas construindo unidades escolares. Além dos mais de 22 milhões aplicados em reformas, ampliações e prédios novos, nos últimos três anos, a prefeitura tem investido na humanização e na capacitação dos educadores.

Os 23 mil estudantes da rede municipal ainda recebem material escolar e uniformes, que confeccionados por meio de um projeto social de qualificação de pessoas que estão fora do mercado de trabalho. A iniciativa da Secretaria de Educação gera economia de quase 70% para os cofres municipais, garante emprego formal e renda às costureiras, preserva o orçamento das famílias dos alunos e propicia um ambiente agradável e harmônico nas salas de aula, o que contribui, sobremaneira, para a melhora do desempenho escolar.

Esta semana, comecei a ler o livro “Desafios das Cidades - Desenvolvimento com Participação e Inclusão Social”, escrito por um coletivo de autores, a maioria deputados federais que já foram prefeitos e compartilham experiências de sucesso nos quatro cantos do Brasil. São políticas públicas de administrações petistas que mudaram os municípios e acabaram adotadas no país afora.

Entre as experiências bem-sucedidas relacionadas no livro está a Secretaria de Políticas para Mulheres de Lauro de Freitas, na Bahia, a primeira a ser instalada no país, em 2005, com uma atuação inspiradora na defesa dos direitos das mulheres e na organização das entidades locais. A pasta foi criada na gestão da então prefeita Moema Gramacho, minha companheira na Câmara dos Deputados.

Eu tenho convicção de que podemos usar a política para transformar a vida das pessoas. E não há outro lugar para começar essa mudança além dos municípios. É na cidade que nascemos, crescemos, brincamos, estudamos e aprendemos valores fundamentais, como amizade, lealdade, bondade, generosidade, respeito e honestidade. Enfim, nossa vida começa e termina na cidade.

Não é por acaso que a palavra cidade vem do latim civitas, que significa “condição ou direitos de cidadão”. Ou seja, por direito, a cidade é das pessoas. E não existe sentido na concepção de um município se ele não estiver a serviço do povo. A construção de cidades para o futuro deve ser o principal compromisso de parlamentares e gestores públicos, nos mais de 5,5 mil municípios do país. A cidade é viva! Viva a cidade!

 

Ana Perugini é deputada federal pelo PT/SP, coordenadora-geral da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos Humanos das Mulheres e 2ª vice-presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. É também responsável pelas frentes parlamentares em Defesa da Implantação do Plano Nacional de Educação e de Promoção e Defesa da Criança e do Adolescente, no Estado de São Paulo, e integrante das comissões de Educação, Constituição e Justiça e de Cidadania, Licitações, e da Crise Hídrica